23.5.12

Três livros, três filmes



Em Maio, estreiam em Portugal os filmes Cosmópolis (baseado no romance homónimo de Don DeLillo e realizado por David Cronenberg) e Pela Estrada Fora (inspirado na obra de Jack Kerouac e realizado pelo brasileiro Walter Salles).
Ainda sem data marcada, irá igualmente ser visto Apartamento em Atenas, um filme de Ruggero Dipaola, que parte do romance homónimo de Glenway Wescott.

 

A adaptação de Walter Salles do romance de Kerouac que serve de referência à Beat Generation está à altura de obras anteriores do realizador, como Central do Brasil, que recebeu o Urso de Ouro no Festival de Berlim em 1998. O filme tem interpretações de Sam Riley, Kristen Stewart e Garrett Hedlund, e estreia prevista em Portugal a 31 de Maio.
O livro foi publicado pela Relógio D’Água em 1998 com tradução de Armanda Rodrigues e Margarida Vale de Gato. Mais recentemente, a Relógio D’Água publicou Pela Estrada Fora — O Rolo Original, com tradução de Margarida Vale de Gato.
Em entrevista concedida à Le Nouvel Observateur, Walter Salles afirma que «On the Road é um amor de juventude. Li-o pela primeira vez aos dezoito anos. Fiquei impressionado com essas personagens que viviam à flor da pele, procurando formas diferentes de liberdade, para quem o sexo e as drogas eram maneiras de ampliar a sua percepção do mundo.»
Houve já várias tentativas não concretizadas de levar ao cinema Pela Estrada Fora. Salles pôde mesmo ler os argumentos já preparados por Coppola, por Barry Gifford e Russell Banks.


Cosmópolis é interpretado por Robert Pattinson, Paul Giamatti e Samantha Morton. A propósito do filme, o realizador David Cronenberg considera que «o tema de DeLillo é a ruína do futuro», um mundo devastado e gangrenado pela finança e percorrido pelos mais diversos motins». A maior parte do filme passa-se numa limusina em que o jovem milionário Eric Packer, que deseja cortar o cabelo, constata que Nova Iorque está em ebulição com a bolsa em crash e o caos um pouco por todo o lado.
O filme estreia a 31 de Maio. O romance foi publicado pela Relógio D’Água em 2003 e tem tradução de Paulo Faria.


Apartamento em Atenas, baseado na obra homónima de Glenway Wescott (autor de O Falcão Peregrino), convoca os fantasmas para a actualidade, pois trata da ocupação da Grécia pelos Alemães na Segunda Guerra Mundial.
Num apartamento de Atenas, instala-se um oficial alemão que desenvolve relações de dominação sobre a família grega que nele continua a viver. O filme tem interpretação de Laura Morante, Richard Sammel e Gerasimos Skiadaressis. O romance foi publicado pela Relógio D’Água em 2008.

21.5.12

Prémio Camões para Dalton Trevisan






Dalton Trevisan, o escritor brasileiro, talvez devêssemos dizer curitibano, acaba de receber o Prémio Camões.
A editora Relógio D’Água publicou em 1984 o seu único livro saido em Portugal, Cemitério de Elefantes, com prefácio de Fernando Assis Pacheco e capa de João Botelho.
Destacamos em seguida dois fragmentos desse prefácio:

«Otto Lara Resende diz que “ninguém sabe quem é Dalton Trevisan. Deus mesmo não sabe e nem por isso se impacienta”. Ele faz vida de “severo anacoreta” na Rua Emiliano Perneta, em Curitiba, de onde regularmente envia ao seu editor algum novo original. Há vinte e cinco anos mandava folhetos de cordel aos amigos.
Nesse tempo Curitiba teria talvez metade da população que tem em 1984 e os bêbados eram levados por um tropismo indecifrável para o lugar de espera e torpor que Dalton Trevisan classifica como cemitério de elefantes. Com toda a probabilidade o cemitério continua onde estava, só os bêbados duplicaram de número. Curitiba passou o milhão de habitantes. (…)

E para nos dar esta Curitiba povoada por estes curitibanos tragicómicos, a um pêlo do pícaro, Dalton Trevisan foi-se à eloquênica e cravou-lhe a faca. Ironia, elipse, nenhuma cedência ao romantismo nem ao realismo mágico, aí estão outras armas brancas do escritor, afiadas à secretária-mesa-de-cela-monacal. Uma busca pela vivissecção?»

A chegar às livrarias





«Tal é a verdade. A verdade despida de sentimentalismos e dos enfeites românticos com que a imprensa cobriu um desastre absolutamente desnecessário.»

É desde modo que Joseph Conrad termina as suas primeiras reflexões sobre o naufrágio do Titanic.
Na noite de 14 de Abril de 1912, em que o Titanic embateu num iceberg, Joseph Conrad, escritor e antigo marinheiro, acabava de escrever Acaso.
A notícia fez com que voltasse de novo à secretária. Dez dias depois enviava à The English Review o artigo «Algumas Reflexões sobre o Naufrágio do Titanic», com opiniões que viriam a ser confirmadas pela bibliografia posterior.
O autor de Linha de Sombra e O Negro do Narciso criticava a arrogância tecnológica do progresso. Num segundo artigo, de Julho de 1912, Conrad aprofundou as críticas, denunciando a escassez de botes salva-vidas e a pretensa estanquidade das divisões do navio.
Este livro reúne ainda o artigo «A Protecção dos Transatlânticos» e uma carta «Ao Director do Daily Express».




Este livro reúne alguns dos mais interessantes escritos literários sobre a bicicleta publicados nos últimos cem anos. São vinte e dois autores reunidos para celebrar alegrias, dores e possibilidades de um meio de locomoção, de um desporto e de uma arte que conhece actualmente um novo fôlego.

18.5.12

Sobre Mademoiselle Fifi e Contos da Galinhola, de Guy de Maupassant


«Iniciado por Flaubert, que lhe ensina as exigências da estética realista, Guy de Maupassant (1850/1893) produz duas obras-primas no domínio do romance — Uma Vida (1883) e Bel Ami (1885) — mas destaca-se principalmente como um dos melhores contistas de sempre, elevando o género à perfeição. Alcança, através do seu estilo naturalista e da sua visão pessimista da existência, um poder e uma força raramente igualados. (…) José Saramago prefacia e traduz trinta e cinco contos do grande prosador que, segundo o Nobel português, escreve “como se a si próprio se destroçasse, como se de si próprio se apiedasse".» No sítio da Agenda Cultural de Lisboa.

17.5.12

O Tio Vânia, de Anton Tchékhov, no Teatro da Trindade



Desde 10 de Maio e até 10 de Junho, estará em cena no Teatro da Trindade uma recriação do clássico de Anton Tchékhov, Vânia, numa co-produção Escola de Mulheres e Teatro da Trindade. Sobem ao palco José Wallenstein, São José Correia e Pedro Lima, entre outros actores.

16.5.12

Sobre Música de Câmara, de James Joyce




No blogue 7 Leitores, Albano Estrela escreve: «Música de Câmara é uma obra poética da juventude de Joyce (foi publicada quando tinha 25 anos), premonitória de escritos posteriores. Tradução digna de menção, esta, de João Flor, da qual salientarei apenas dois aspectos: o conhecimento profundo do texto e das suas filiações na cultura inglesa; recriação extremamente conseguida a que o tradutor procede em ordem a encontrar ressonâncias equivalentes em língua portuguesa.»
Texto completo aqui.

15.5.12

Sobre Um Quarto com Vista, de E. M. Forster


 

 

«Trata-se de uma brilhante comédia social. Forster constrói um romance de aprendizagem para dois personagens centrais, Lucy Honeychurch e George Emerson, durante uma viagem cultural a Itália, tão ao gosto da sociedade inglesa vitoriana. Florença, os seus monumentos e a paisagem circundante serão o grande cenário na quebra de valores oitocentistas, que não iam além de “hipocrisia e superstição”; e que “aprisionavam” almas e corpos. As páginas de Forster, a partir de Florença, abrem-se como um bloco crescente de sensações e espelham-se, numa segunda parte do romance, na paisagem inglesa do Surrey, num projecto de luta “mais do que pelo amor e pelo prazer”, pela “verdade”. Pois “a verdade é o mais importante.”» [João Miguel Fernandes Jorge, Diário de Notícias online, 24-12-2011]