27.4.12

Masoquismo na APEL



Não, não estou a sugerir que no 6.º andar do n.º 27 da Av. Estados Unidos da América os directores da APEL se dedicam a práticas de autoflagelação em meio da habitual parafernália de blusões negros, chicotes e algemas.
A autoflagelação a que me refiro não vem de profundezas do inconsciente, mas do céu, ou mais exactamente das nuvens.
Tal como sucedeu o ano passado, a Feira do Livro de Lisboa abre sob a chuva, a humidade e o frio que afasta visitantes e ameaça livros e sessões de autógrafos. Entretanto, o efeito da promoção dissipa-se.
Muitos de nós têm já nostalgia da Feira de Lisboa percorrida em tardes de sol, onde à sombra de um castanheiro-da-índia podíamos ler algum desses clássicos russos que ajudaram a formar o nosso itinerário sentimental.
Deixou de ser assim porque a APEL insiste em realizar a Feira entre a última semana de Abril e meados de Maio. Ora é estatisticamente mais provável ocorrer chuva nesse período do que, por exemplo, entre 3 e 20 de Maio, que tem ainda a vantagem dos jacarandás floridos no Parque Eduardo VII. Não é só a meteorologia a dizê-lo. A sabedoria popular fala de «Abril, águas mil» e a poética, através de T. S. Eliot, refere que «Abril é o mês mais cruel» (…), «agita raízes dormentes com chuva da Primavera».
Que explica então este reiterado masoquismo anual? A APEL certamente dirá que, sendo os pavilhões da Feira do Livro do Porto os mesmos de Lisboa, não se pode empurrar aquela feira para o Verão e a dispersão das férias. Mas que mal haveria em realizá-la entre, digamos, 8 e 24 de Junho?
De resto, não se entende porque não se alterna entre as duas cidades o início das Feiras. Como há muito menos pavilhões no Porto, no ano em que a Feira começasse a norte, poder-se-ia mesmo avançar a sua montagem em Lisboa, estreitando o prazo entre as feiras, e permitindo assim que acabassem mais cedo.
E já agora, sendo cada vez menos as inscrições para a Feira do Porto, porque não adiá-las de modo a poderem ser feitas já com as receitas recolhidas na de Lisboa? É que o aluguer dos pavilhões é bem mais caro que o de uma suíte num bem situado hotel de Manhattan ou mesmo de Luanda.

27 de Abril de 2012
Francisco Vale

Sessão de Autógrafos com António Barreto




No domingo, dia 29 de Abril, às 17h, António Barreto estará presente para autografar Anos Difíceis e outras obras.

Feira do Livro de Lisboa: Livros do Dia 27 de Abril de 2012




(A73)
Da Democracia na América
Alexis de Tocqueville
PVP: 38,36 €
Preço Livro do Dia: 23 €

(A75)
Mau Tempo no Canal
Vitorino Nemésio
PVP: 18,17 €
Preço Livro do Dia: 10 €

(A77)
Adoecer
Hélia Correia
PVP: 18 €
Preço Livro do Dia: 10 €

(A79)
Pais e Filhos
Ivan Turguéniev
PVP: 16,15 €
Preço Livro do Dia: 9 €


(A81)
O Feiticeiro de Oz
Frank L. Baum
PVP: 15,15 €
Preço Livro do Dia: 9 €

26.4.12

Novas edições de Don DeLillo



«Brilhante! Finalmente um romance que entende o rock and roll! O terceiro livro de Don DeLillo expõe o rock como um mito romântico, uma mercadoria dispensável, como uma forma de arte intrinsecamente ligada ao comércio. É tão impertinente que as ideias principais apenas nos atingem algum tempo depois, tal e qual como o bom rock and roll.» [The Village Voice]

«DeLillo é um escritor perturbante, um talento amadurecido, vivo e astucioso. Este livro é a prova de que é um escritor que se sabe ultrapassar a si próprio, atingindo constantemente novos patamares.» [Newsweek]


O multimilionário Eric Packer, proprietário de um apartamento com quarenta e oito quartos e recentemente casado com a herdeira de uma vasta fortuna europeia, acordou para um dia extraordinariamente pleno de acontecimentos. Recostado na sua limusina, enquanto se desloca pelo centro de Manhattan, observa o impasse em que a cidade se encontra, provocado pela visita presidencial, pelo funeral de uma estrela de rap e pelo violento protesto de grupos antiglobalização a decorrer em Times Square.
O romance foi adaptado ao cinema por David Cronenberg em 2012. O filme estreia em Portugal a 31 de Maio de 2012 e conta com a presença do realizador David Cronenberg, do autor Don DeLillo e do actor principal Robert Pattinson.

A chegar às livrarias e à Feira do Livro de Lisboa




Neste livro, Hans Magnus Enzensberger critica abertamente a União Europeia. Será uma provocação da parte de um europeu convicto em relação à distante opacidade de Bruxelas?
Mais do que isso, é uma denúncia da burocracia que a pretexto de harmonizar vai destruindo o ideal que presidiu à construção da União Europeia.
Que fazem os nossos tutores, desconhecidos de quase todos, por trás das fachadas brilhantes e dos gabinetes quase sempre fechados? Qual a legitimidade das suas acções?
Enzensberger pensa que a evidente ausência de democracia, a multiplicação dos organismos, a linguagem esclerosada dos funcionários da UE contribuem hoje para a ruína da Europa.

«Enzensberger investigou a fundo (…). Enumera factos e analisa indícios como se de um crime se tratasse (…). A sua intenção é desmascarar um monstro ávido de poder que avança como um bulldozer imparável (…).» [Hubert Spiegel, Frankfurter Allgemeine Zeitung]
«O seu lúcido ensaio é um contributo essencial para a cultura política na Europa.» [Stephan Wehowsky]

A chegar às livrarias e à Feira do Livro de Lisboa




«No princípio Lembro-me: estava ao colo de alguém. Havia um terreiro, uma casa ao fundo, ou no meio, isolada. Nem árvores, nem arbustos, só um corvo esgravatava, na terra vermelha, como um borrão saltitante.
E o sol.
Meio-dia, talvez.
Porque a luz vinha de todos os lados, e na casa não se distinguia um refúgio, uma sombra: desenho trémulo, sem protuberâncias nem reentrâncias que, de vez em quando, um golpe de vento parecia arrastar.
— É ali.
A minha chegada são estas palavras, com a sua clareza, ditas por ninguém. Voz sem corpo que soava um pouco atrás de mim, voz sem nome, sem sexo. Voz que afastava as coisas. Que me começou a perseguir, que me continuou a perseguir, que ainda me persegue. Voz que estará, no instante da minha morte, a dizer-me:
— é ali.»


Robert Grainier é um trabalhador do Oeste americano no início do século XX — um homem simples vivendo tempos extraordinários. Abalado pela perda da família, Grainier procura conferir sentido a um novo e estranho mundo. À medida que a história se desenrola, assistimos às suas derrotas pessoais e às radicais mudanças que transformam os EUA.

«Sonhos e Comboios, de Denis Johnson, é como uma raridade que já não é impressa há muito tempo. É como uma obra de arte a que poucos têm acesso e que, agora, se encontra disponível para todos nós... Sonhos e Comboios é um livro que nos prende (...)» [Dan DeLuca, The Philadelphia Inquirer]

Feira do Livro de Lisboa: Livro do Dia 26 de Abril


(A73)
A Viagem do Beagle
Charles Darwin
PVP: 25,24 €
Preço Livro do Dia: 15 €

(A75)
As Flores do Mal
Charles Baudelaire
PVP: 25 €
Preço Livro do Dia: 15 €



(A77)
Meridiano de Sangue
Cormac McCarthy
PVP: 20 €
Preço Livro do Dia: 12 €

(A79)
A Sonata de Kreutzer
Lev Tolstoi
PVP: 14,13 €
Preço Livro do Dia: 8 €

(A81)
A Ilha do Tesouro
Robert Louis Stevenson
PVP: 12,12 €
Preço Livro do Dia: 7 €