Numa entrevista ao
jornal i, a 25 de Março, Vasco Graça Moura, à pergunta «O que tem lido?»,
o presidente do CCB respondeu: «Li ontem um livro notabilíssimo. Creio que
acaba de sair. Vi-o por mero acaso e comprei-o. É um livro de poesia da Hélia
Correia chamado A Terceira Miséria. Achei magnífico. Tem uma densidade
na meditação sobre a herança clássica que me parece muito importante.» A
entrevista completa pode ser lida aqui.
26.3.12
Dia Mundial da Poesia no Centro Cultural de Belém
O Dia Mundial da Poesia foi comemorado no sábado, 24 de
Março, no Centro Cultural de Belém. Do programa da festa fizeram parte a
inauguração de uma exposição, uma maratona de leitura de poemas de Jorge de
Sena e vários poetas e figuras públicas disseram poemas.
Jaime Rocha foi um dos participantes e leu poemas seus. José
Mário Silva leu, entre outros, dois poemas de Hélia Correia.
A chegar às livrarias
«Ao contrário do seu primeiro romance [Perto do Coração Selvagem], escrito em fragmentos, saltando
constantemente de uma cena para a outra, O
Lustre é um conjunto coerente. Apesar de os seus extensos segmentos
descreverem propositadamente acontecimentos, consistem sobretudo em longos
monólogos interiores, interrompidos apenas por um singular e perturbador
fragmento contendo diálogo ou acção. O livro progride em ondas lentas que se
elevam, alterosas, nos momentos de revelação. As páginas entre estas epifanias
são precisamente os momentos em que o livro se torna mais intolerável para o
leitor, que é forçado a seguir o movimento interior de outra pessoa com um
detalhe microscópico. Acostumado às epifanias, esperando estímulos e surpresas
permanentes, o leitor que aborde o livro pela primeira vez depressa se sente
desconcertado.
Porém, a intensidade glacial do livro exerce um fascínio
particular.
(…) Só quando lido devagar, reflectidamente, e sem
distracções, três ou cinco páginas de cada vez, é que O Lustre revela o seu carácter penetrante.» [Benjamin Moser, Clarice
Lispector — Uma Vida]
A
galdéria, o soldado e a criada, o jovem cavalheiro, a jovem senhora e o seu
marido, este marido e a doce donzela — o segundo deixando a primeira pela
terceira que sorri para o quarto e assim de seguida até ao conde que troca a
actriz pela galdéria, fechando assim a ronda. O que leva estas personagens a
agir assim?
Em dez breves diálogos, A
Ronda apresenta-nos, com perspicaz desenvoltura, o essencial da magia do
coração e dos sentidos.
Desde 1905 que circulavam rumores em Viena sobre uma obra
«licenciosa» que Arthur Schnitzler teria escrito. Era A Ronda, que nenhum teatro se atreveu a encenar e começou por ser
divulgada em edição de autor.
Foi preciso esperar por 1921, depois do colapso do Império
Austro-Húngaro, para que a peça pudesse ser representada em Viena, causando
grande escândalo.
Arthur Schnitzler nasceu em Viena em 1862. Depois de ter
terminado Medicina, dedicou-se ao teatro, tendo-se tornado famoso aos 33 anos
com Liebelei.
Paralelamente à sua obra de dramaturgo, escreveu várias
novelas, romances e livros de aforismos, entre os quais O Tenente Gustl, A História
de Um Sonho e Relações e Solidão.
Schnitzler relacionou-se com Freud, que admirava as suas
obras.
O autor de A Ronda
faleceu em 1931.
Os Anos Doces, de Hiromi Kawakami, Livro do Dia na TSF
Os Anos Doces, de Hiromi Kawakami, foi Livro do Dia na TSF, na sexta-feira, 3 de Março. Carlos Vaz Marques diz: «Com a delicadeza de um filme de Mizoguchi, Hiromi Kawakami dá-nos - numa
linguagem sempre sem quaisquer floreados - uma história de amor sem exaltações,
que é também um retrato da solidão urbana no Japão de hoje.» Para ouvir aqui.
23.3.12
Raymond Roussel em Serralves
Abre amanhã ao público no Museu Serralves a exposição vinda
do Museu Rainha Sofia sobre a vida e obra de Raymond Roussel, em particular
sobre a obra Locus Solus. Luís Miguel Queirós, no ípsilon de 23
de Março, aborda as obras fundamentais de Raymond Roussel, a saber Impressões
de África (1910), Locus Solus (1914), e o poema Novas Impressões
de África (1932).
O jornalista do Público escreve: «A intriga de La Doublure
é talvez um pouco bizarra, mas nada que se compare com a desenfreada
extravagância de Impressões de África (com tradução recente pela Relógio
D’Água), onde se narra a história de um grupo de náufragos brancos capturados
por um régulo africano, que estes entretêm com as mais variadas performances
enquanto esperam ser resgatados. (…)
Ainda assim, Impressões de África, com a sua sucessão
de cenas delirantes, contadas com abundante precisão de detalhes, tem qualquer
coisa de hipnótico, e é provavelmente de mais fácil leitura do que Locus
Solus, que relata a visita de um grupo de pessoas à propriedade do
cientista e inventor Martial Canterel, onde este lhes vai mostrando uma série
de estranhíssimas invenções, entre as quais um diamante cheio de água que
contém uma bailarina, um gato sem pelo e a cabeça de Danton. (…)
O interesse por Roussel reavivou-se recentemente graças à
descoberta, em 1989, de uma grande quantidade de documentos e manuscritos,
incluindo diversos textos inéditos que estavam arrumados há décadas num
armazém. O homem que chegara a profetizar que a sua fama “ensombraria a de
Napoleão e Victor Hugo”, escreve no final da vida: “Refugio-me, à falta de
melhor, na esperança de que os meus livros possam, vir a trazer-me algum
florescimento póstumo.” E desta vez acertou.»
O Declínio da Mentira e A Alma do Homem e o Socialismo, de Oscar Wilde
«Ao ler e reler Wilde, ao longo dos
anos, noto um facto que os seus panegiristas não parecem ter sequer suspeitado:
o facto comprovável e elementar de que Wilde quase sempre tem razão. A Alma do Homem e o Socialismo não só é
eloquente: é também justo.» [Jorge Luis Borges, Sobre Oscar Wilde]
O Declínio da Mentira, de 1889, era o texto
preferido de Wilde e uma brilhante crítica contra a arte realista e o seu «monstruoso
culto dos factos». Para o autor de O Retrato
de Dorian Gray, os escritores
realistas «escrevem romances que se parecem tanto com a vida que a ninguém é possível
acreditar na sua probabilidade». Na sua opinião, «a arte nunca exprime outra
coisa que não seja ela própria» e daí a sua conclusão de que é necessário «ressuscitar
a perdida Arte da Mentir».
Em A Alma do Homem e o Socialismo, texto
publicado em 1891, Oscar Wilde apresenta as suas particulares concepções de uma
sociedade em que a pobreza resulta do funcionamento do capitalismo e não pode
ser resolvida com a caridade e o altruísmo. Para Wilde, o desenvolvimento
tecnológico permitirá ao homem trabalhar menos tempo e cultivar a sua
personalidade. Mas o que mais lhe interessa no socialismo seria a sua
capacidade de desenvolver o individualismo que se exprimiria através da alegria
e da arte, numa espécie de helenismo renovado.
«Onde
o génio de Oscar Wilde se manifesta com mais poder é em A Importância de Ser Earnest e em dois magníficos ensaios, A Alma do Homem e o Socialismo e O Declínio da Mentira.» [Harold Bloom, Génios]
22.3.12
A Terceira Miséria, de Hélia Correia, Livro do Dia na TSF
Ontem, 21 de Março de 2012, o recente livro de poesia de Hélia Correia, A Terceira Miséria, foi Livro do Dia na TSF. Diz Carlos Vaz Marques: «Essa paixão pela Grécia, desde há muito presente na obra de Hélia Correia,
desagua agora neste livro de poesia, onde a Grécia clássica surge como farol e
como impossibilidade.» Para ver e ouvir aqui.
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