7.2.12

Charles Dickens (7 de Fevereiro de 1812 - 9 de Junho de 1870)




«Tudo quanto poderia dizer da obra, de qualquer maneira, o disse já nas próprias páginas dela.» [Charles Dickens, Prefácio à primeira edição de David Copperfield (1850)]


Charles Dickens nasceu há 200 anos e o seu bicentenário comemora-se com diversos acontecimentos, do Reino Unido a Portugal. Há uma festa popular em Portsmouth, sua cidade natal, e o príncipe Carlos e o autor Ralph Fiennes participam numa cerimónia junto ao seu túmulo, na Abadia de Westminster. Em Lisboa, na Biblioteca Nacional, há uma mostra das edições portuguesas de Charles Dickens e, na Hemeroteca Municipal, a inauguração da exposição «Dickens nas Coleções das Bibliotecas Municipais de Lisboa».

Wislawa Szymborska (2 de Julho de 1923 – 1 de Fevereiro de 2012)




«Para mim, Szymborska é, antes de mais, uma poetisa da consciência. Isso significa que nos fala, aos seus contemporâneos, como se fosse um de nós, reservando e guardando para si assuntos pessoais e intervindo de certa distância, mas sem deixar de remeter para o que cada um sabe da sua própria vida.» [Sobre Szymborska, por Czeslaw Milosz]


Wislawa Szymborska morreu no dia 1 de Fevereiro em Cracóvia, aos 88 anos. Em 1996 recebeu o Prémio Nobel da Literatura. A Relógio D’Água editou duas obras suas; Paisagem com Grão de Areia (1998) e Instante (2006).

Os Anos Doces, de Hiromi Kawakami




Omachi Tsukiko encontra uma tarde, por acaso, o seu antigo professor de Japonês num izakaya onde por vezes vai no regresso do trabalho. No decurso dos vários encontros que se sucedem, vai estabelecer-se entre eles, de modo quase impercetível, uma ligação difícil de definir, até dada a enorme diferença de idades. Juntos vão apanhar cogumelos, visitar um mercado, participar numa festa de cerejeiras em flor. São acontecimentos prosaicos, mas que, de modo subtil, vão tecendo um véu que parece capaz de dissipar-se a qualquer momento. O estilo de Kawakami capta a delicadeza da vida no exato momento em que ela parece dissolver-se.
Os Anos Doces recebeu o PrémioTanizaki em 2001.

6.2.12

A Relógio D’Água na Ler de Fevereiro de 2012




Na Ler, Rogério Casanova escreve sobre Nas Montanhas da Loucura, de H. P. Lovecraft: «Como quase toda a ficção que Lovecraft escreveu, Nas Montanhas da Loucura (Relógio D’Água, trad. Teresa Seixas) começa no rescaldo de acontecimentos terríveis que levaram o narrador ao limite da desintegração psíquica. Aproveitando os últimos resquícios de sanidade, o mesmo tenta deixar um registo para a posteridade, de uma forma tão impessoal e rigorosa quanto possível. No caso em questão, os acontecimentos ocorreram durante uma expedição multidisciplinar à Antártida, conduzida por vários membros da Universidade de Miskatonic, com o sempre sensato objetivo de “recolher amostras”. O que acabam por encontrar é um conjunto de fósseis de criaturas sobre cuja origem “é inútil conjeturar”, e que, para agravar a situação, se revelam não inteiramente fossilizados.


José Mário Silva escreve sobre O Lago, de Ana Teresa Pereira: «Nos últimos livros de Ana Teresa Pereira, o teatro vem ocupando um lugar cada vez mais importante na densa rede de referências simbólicas da autora. Mas é em O Lago que se esbate de vez a fronteira — porosa e vagamente assustadora — entre palco e vida. Se na novela anterior (A Pantera), uma escritora (Kate) transformava o ator com quem se envolvia (Tom) em personagem de ficção, desta vez há um dramaturgo e encenador (também chamado Tom, o mais recorrente dos nomes-fétiche de ATP) que pretende converter uma atriz na própria essência da fugidia protagonista da sua peça. “Há algum tempo que ela usava as palavras representar e escrever como se fossem exatamente a mesma coisa”, diz-se a propósito de Kate em A Pantera


No mês em que se comemora o bicentenário de Charles Dickens, Hugo Pinto Santos escreve sobre o autor de David Copperfield: «Certo dia, um funcionário da Tesouraria da Armada passeava na companhia de um amigo. Este, ao deparar com o filho de um companheiro no seu habitual local de trabalho (uma janela junto à qual rotulava frascos de graxa), deu-lhe uma moeda. Muito dignamente, o rapaz agradeceu, sem que o pai reagisse de forma visível. O jovem era Charles Dickens, e o episódio é apenas um entre os vários aspetos da sua vida que a arte do escritor transporia para a ficção — “Quando não existiam garrafas vazias, havia rótulos para colar nas garrafas cheias, rolhas para adaptar aos gargalos, cápsulas que se acomodavam em caixas” (David Copperfield, Relógio D’Água, p. 145).


Bruno Vieira Amaral escreve sobre Flush — Uma Biografia, de Virginia Woolf: «A inevitável antropomorfização das experiências de Flush conduz o livro, em certos momentos, para o registo alegórico, com o mundo dos cães a servir de base a uma crítica à sociedade inglesa de meados do século XIX. Flush é um aristocrata canino que cedo percebe que “não existe qualquer igualdade entre os cães: uns são nobres, outros são cães inferiores”.» Bruno Vieira Amaral diz ainda: «As palavras são como instrumentos que tentam penetrar a insondável parcela da realidade habitada por Flush. Uma realidade olfativa, de “infinitas gradações” entre os extremos a que os seres humanos são sensíveis.»


Bruno Vieira Amaral escreve também sobre Diário de Oaxaca, em que «Oliver Sacks (n. 1933), autor do célebre Despertares, registou em forma de diário as suas experiências durante uma excursão de botânicos “amadores” à região de Oaxaca, no México».

3.2.12

Contos Escolhidos, de Isaac Babel



Este livro reúne narrativas extraídas sobretudo de Exército de Cavalaria e de Contos de Odessa.
J. L. Borges e Harold Bloom contam-se entre os críticos que chamaram a atenção para a singular importância da obra de Isaac Babel.

«Como contista, Babel rivaliza com Turguénev, Tchékhov, Maupassant, Gogol, Joyce, Hemingway, Lawrence e Borges: tal como eles, é um génio da forma. Mas está próximo de Kafka na peculiar dicotomia do seu génio.» [Harold Bloom]

«Esse livro ímpar intitula-se Exército de Cavalaria.
A música do seu estilo contrasta com a quase inefável brutalidade de certas cenas.
Um dos contos — “O Sal” — conhece uma glória que parece reservada aos versos e que a prosa raramente alcança: sabem-no de cor muitas pessoas.» [J. L. Borges]

2.2.12

Novo álbum de Leonard Cohen




Na passada segunda-feira foi lançado o novo trabalho de Leonard Cohen, Old Ideas, o último álbum de originais desde Dear Heather, editado em 2004.
Celebrando 40 anos da carreira, Old Ideas faz-se das ideias de um septuagenário sobre a vida e das temáticas de sempre do cantor, compositor e escritor.
A Relógio D’Água editou em 1999 Poemas e Canções, uma antologia escolhida com a participação do próprio autor.

1.2.12

Anna Karénina em nova adaptação cinematográfica



Anna Karénina, de Lev Tolstói, conta já numerosas adaptações ao grande ecrã, do cinema mudo ao sonoro, e surge brevemente num novo filme, com realização de Joe Wright e argumento de Tom Stoppard.
Keira Knightley sucederá a actrizes como Greta Garbo, Vivien Leigh e Jacqueline Bisset no papel da heroína. Alexei Karénin será interpretado por Jude Law e o conde Vronsky por Aaron Johnson.
Actualmente em fase de pós-produção, o filme tem estreia prevista para o final de 2012.
O livro Anna Karénina foi editado pela Relógio D’Água (2006), numa tradução, directa do russo, de António Pescada.