23.1.12

Biografia do autor de David Copperfield


El sueño de Dickens, obra inacabada de Robert Williams Buss

Segundo a biografia que Peter Ackroyd fez de Dickens, os poucos meses que o autor de David Copperfield trabalhou na fábrica Warren, no n.º 30 de Hungerford Stairs, uma zona industrial insalubre e infestada de ratos, mudaram a história da literatura.
Dickens tinha 12 anos e a sua jornada de trabalho era de 10 horas, com uma pequena pausa para almoço. O salário era de 6 a 7 xelins por semana.
É essa a tese do autor de Dickens, que considera que «grande parte da energia criativa de Dickens» nasce «nessa infância e a sua visão do mundo é forjada nessa altura».
Peter Ackroyd considera que Dickens foi a «primeira celebridade global», pois foi muito popular em Inglaterra e nos Estados Unidos da América e a sua presença atraía multidões.
Recorde-se que dia 7 de Fevereiro próximo se celebra o bicentenário do nascimento do autor de David Copperfield, O Amigo Comum, Os Cadernos de Pickwick e de outros romances que marcaram a literatura a partir de meados do século XIX.

Sobre Negócios em Ítaca, de Bernardo Pinto de Almeida




No blogue «Contra Mundum», H. G. Cancela escreve sobre Negócios em Ítaca, de Bernardo Pinto de Almeida: «Se o referente gráfico imediato do livro talvez seja o surrealismo, o verdadeiro suporte estético destes textos é o romantismo. O romantismo pleno de Hölderlin ou o romantismo moderno de Rilke. É neste plano que Bernardo Pinto de Almeida alcança maior brilho: na quase fundadora e consciente inocência de quem acredita na palavra como lugar de efectivação da experiência. Esta, num gesto reiterado, serve de suporte à escrita e de instrumento de mediação do real. A subjectividade que o romantismo revelou não se confunde com a estrita experiência interior do sujeito, com a pura afectividade. Comporta-a, mas é sobretudo lugar de modelação da realidade como coisa humana.»
Texto completo aqui.

A chegar às livrarias




Joyce acabou de escrever Retrato do Artista quando Jovem em 1914, ano de publicação de Gentes de Dublin.
A novela descreve a infância em Dublin de Stephen Dedalus e a sua busca de identidade. As diferentes fases da vida do protagonista, da infância à vida universitária, refletem-se em mudanças no estilo narrativo. Os aspetos biográficos são tratados com irónico distanciamento, num trajeto que culmina com a rutura com a Igreja e a descoberta de uma vocação artística.
A obra é também um reconhecível auto-retrato da juventude de James Joyce, assim como uma homenagem universal à imaginação dos artistas.

 (Reedição)
«O nome do filósofo cuja vida se extinguiu durante a fuga aos polícias hitlerianos foi adquirindo uma auréola nos quinze anos que decorreram desde a sua morte, apesar do carácter esotérico dos seus primeiros trabalhos e do carácter fragmentário dos últimos.
O fascínio pela sua pessoa e oeuvre leva inevitavelmente a uma atracção magnética ou a uma defesa estremecida.» [T. W. Adorno, 1955]

20.1.12

A Relógio D'Água na Time Out de 18 de Janeiro de 2012



Na Time Out Lisboa, Hugo Pinto Santos escreve sobre Bel-Ami, de Guy de Maupassant: «O romance de 1885 está longe de ser a manhosa dilatação do que o autor fazia em conto. A passagem do regime breve para um compasso alargado faz-se com a elegância e a superioridade de um mestre, para lá do formato da narrativa. (…) O que torna Bel-Ami um romance excepcional, além do seu alcance estilístico, é não ser a história da ascensão e queda de Duroy — esquema exausto —, mas o retrato impiedoso e amoral de certa realidade. Sem edulcorantes.»

Também de Guy de Maupassant, a Relógio D'Água editará brevemente Mademoiselle Fifi e Contos da Galinhola, com tradução de José Saramago.

19.1.12

A Relógio D'Água na revista Os Meus Livros de Janeiro de 2012




Num número dedicado ao teatro, são indicadas dez peças fundamentais. De entre elas, a Relógio D’Água publicou A Gaivota, de Anton Tchékhov, sobre a qual diz Luís Miguel Cintra: «Remete-nos para a vida toda. E a vida é mesmo maior. Um dia chega a morte.»




Nesta edição, os vários colaboradores da revista apontam ainda os melhores livros de 2011, alguns dos quais editados pela Relógio D’Água. Teresa Pearce de Azevedo escolhe De Olhos Abertos, de Marguerite Yourcenar. Susana Nogueira destaca Uma Porta nas Escadas, de Lorrie Moore. Hugo Pinto Santos elege O Duelo, de Anton Tchékhov, e Crítica da Razão Cínica, de Peter Sloterdijk. Ana Paula Gouveia indica O Moinho à Beira do Floss, de George Eliot.


Fátima Lopes Cardoso escreve sobre Flush— Uma Biografia, de Virginia Woolf: «Virginia Woolf inspira-se nas alusões a um belo exemplar de raça spaniel, que descobre nas cartas de amor clandestino entre os poetas Elizabeth Barrett e Robert Browning, e constrói uma obra de estrutura clássica com princípio, meio e fim, mas singularizada por um jogo narrativo entre a consciência do protagonista, o discurso do biógrafo e os excertos da correspondência de Barrett.»


Destacamos também a crítica ao ensaio recentemente publicado sobre a obra de Ana Teresa Pereira: Além-sombras: Ana Teresa Pereira, de Duarte Pinheiro. Diz Hugo Pinto Santos: «O universo ficcional de Ana Teresa Pereira é um dos territórios mais fascinantes, e ao mesmo tempo mais inabordáveis (circularidade referencial, obsessiva reinvenção de personagens e espaços, uma autora “mistura de mulher, de bicho e de nevoeiro”) do que entre nós se entende por escrito ficcional.»

16.1.12

Conto de Natal de Hélia Correia




A pedido do JL, Hélia Correia escreveu um conto de Natal. A ilustração é de Afonso Cruz. Para ler aqui.

A Relógio D'Água no Diário de Notícias de 14 de Janeiro de 2012




No suplemento Quociente de Inteligência, do Diário de Notícias de 14 de Janeiro, João Céu e Silva escreve sobre O Lago, de Ana Teresa Pereira: «O Lago terá sido um dos últimos livros a ir para as livrarias na época de Natal que acaba de ser celebrada. Por isso, a novela de Ana Teresa Pereira afogou-se perante as centenas de títulos que a acompanhavam nos caixotes que terão chegado às livrarias — e, porventura, nem foram abertos —, e poucos leitores terão tido hipótese de a descobrir entre as últimas novidades de 2011. (…) Quanto a esta situação pouco há a fazer e a opção é dar conta do último livro de Ana Teresa Pereira, logo a abrir o ano de 2012.»
João Céu e Silva termina parafraseando Se Nos Encontrarmos de Novo: «Talvez seja possível apreciar uma escritora por causa de um livro.»