6.1.12

Os Pássaros Brancos e Outros Poemas, de W. B. Yeats




«William Butler Yeats era, exclusivamente, um poeta que escreveu em sintonia com a dinâmica transformadora do seu tempo, mas por caminhos de incontestável originalidade, fundando um estilo dramático de enorme teor musical e conduzindo a poesia para uma zona iluminada de reflexão, onde os universos religioso, político, afectivo e filosófico surgem transfigurados pela magia da palavra, como simples elementos constituintes da perturbadora alquimia do ser.»
[Do Prefácio de Laureano Silveira]

4.1.12

A Relógio D'Água na Ler de Janeiro de 2012




No primeiro número de 2012, Carla Maia de Almeida visita Hélia Correia no mundo das fadas, a propósito do seu mais recente livro infanto-juvenil: «Sobre A Chegada de Twainy, a história de uma fada perdida da sua gente — isto é, das outras fadas, gnomos, duendes, elfos e restantes elementos da little people, a “gente pequena” —, quase tudo pode ser explicado, mesmo sabendo que “os porquês são sempre acasos”. Sendo um livro imbuído de maravilhoso, paradoxalmente, “está cheio de realidade”. De lugares, personagens e referências mais ou menos explícitas que fazem parte do mundo da escritora.»


José Mário Silva diz de Canções Mexicanas, de Gonçalo M. Tavares, cuja 2.ª edição sairá nos próximos dias: «A Cidade do México tem, sobre o narrador destas histórias curtas e oníricas, um efeito semelhante ao da tarantela, esse ritual das pessoas que foram picadas por uma aranha venenosa e têm de dançar para não morrer. É isso que a prosa de Tavares faz: dança para não morrer, cura-se pelo movimento, segue o fluxo das multidões (“não há rua, não se vê o chão, se olhas para baixo és empurrado, se olhas para cima és empurrado”), os textos correm, saltam, tropeçam, tentam escapar para longe dos bairros tenebrosos onde o fio de uma navalha espera o turista incauto, o estrangeiro vulnerável.»


Na secção «Zona Franca», Fernando Sobral dá o seu aval a Cityboy, de Geraint Anderson: «No mundo financeiro, repleto de sonhos, há um lado que nos lembra Darth Vader. É esse universo subterrâneo e desconhecido que Geraint Anderson descreve, depois de durante bastante tempo o ter feito nas páginas de um jornal londrino. Se a obra, por vezes, parece um livro de ficção é porque a marcha do mundo financeiro está repleta de situações quase inacreditáveis.»

3.1.12

2011, balanço de um ano indeciso





Em 2011, editores, críticos e até autores insistiram nos gestos habituais como se nada à sua volta se houvesse alterado.
O novo Acordo Ortográfico foi recebido com a mesma resignada acrimónia com que o camponês acolhe o mau tempo. E o lançamento de plataformas para distribuição de e-books quase não evoluiu, deixando-se a iniciativa dessa reestruturação do sector a empresas que lhe são alheias, como a Google.

Editores
Na edição há a destacar a feliz entrada na ficção portuguesa da Tinta-da-China, com obras de Maria Dulce Cardoso e Mário de Carvalho, e as publicações da Ahab, que prolonga nas suas escolhas a lacónica exactidão do seu nome.
Algumas editoras de poesia, da Averno à Alma Azul, lançaram novos autores, interessantes mas a necessitarem de confirmação.
As ex-editoras independentes, integradas na Leya ou na Porto Editora, usaram os meios financeiros acrescidos de que agora dispõem para disputarem autores às editoras que se mantiveram à margem do processo de concentração. O resultado foi o agravamento da crise de algumas destas e que o ensaio, sobretudo o relacionado com o actual estado de coisas, fosse ignorado num autismo editorial sem paralelo europeu.
Dois acontecimentos singulares abalaram a vida editorial.
O primeiro foi o desmoronamento da Babel — quem não se lembra do seu conselho editorial integrado por dezenas de intelectuais e da meteórica ascensão do seu director a presidente da APEL?
O episódio parece nada ter a ver com uma qualquer maldição bíblica, mas com a tentativa de aplicar métodos de gestão financeira a um sector com regras próprias. Nem Pessoa, nem Heinrich Böll ou os seus leitores parecem dar-se bem com túneis megalómanos como o que a Babel levou à feira do livro de Lisboa.
Outro acontecimento significativo ocorreu com a Difel. O seu fim e rápida dispersão dos despojos, de Umberto Eco a Isabel Allende, revela a vulnerabilidade de catálogos baseados na ficção traduzida, num período em que as agências internacionais impõem contratos com prazos de vigência cada vez menores.

Críticos

Os críticos continuaram a privilegiar no seu balanço anual a ficção, poucos deles se mostrando disponíveis para lidar com o ensaio e a ciência.
Nesta paisagem pouco diversa, não é de estranhar que se tenha confirmado a importância de um crítico e um escritor que não concebem ficção sem ideias.
É o caso de Rogério Casanova, sempre brilhante quando não troca o seu papel de crítico com sentido de humor pelo humor sem sentido. Um exemplo é dado pelos textos que publicou na Ler de Janeiro de 2012. Além da análise que faz sobre Vida e Destino, de Vassili Grossman, escreveu o artigo mais consistente que sobre o recém-falecido Christopher Hitchens saiu na imprensa portuguesa. Ao contrário de textos acríticos e até de algumas colagens, Rogério Casanova fala da banalidade de um trajecto político feito entre o estrépito das polémicas e de erros de análise que não diminuem o interesse pelas reflexões que os acompanharam.
Na literatura a confirmação é Gonçalo M. Tavares, em deliberada ruptura com as tradições sentimentais da literatura portuguesa, uma linguagem despojada que soube integrar no seu universo pessoal as tradições do romance centro-europeu de entre guerras, de Kafka a Robert Walser.

E 2012?
Nada, neste início de ano, anuncia alterações drásticas no sector editorial.
Apenas, como é usual em períodos de crise, os editores reduzem os títulos e as tiragens e os livreiros alargam as promoções. Alguns dos fãs de José Rodrigues dos Santos e de Margarida Rebelo Pinto parecem começar a ter dúvidas se eles serão mesmo esses génios da literatura cujo último romance é preciso comprar a correr. Esta dúvida seria mesmo um dos poucos sinais de esperança para a literatura neste início de 2012.

Francisco Vale

2.1.12

Relógio D’Água, a mais citada nos balanços dos críticos do Expresso




No Atual de 30 de Dezembro de 2011, os críticos do Expresso fazem um balanço do ano editorial. Com oito escolhas dos livros que publicou, a Relógio D’Água é a editora mais citada pelos críticos que destacam cada um deles dez obras.
Ana Cristina Leonardo refere Impressões de África, de Raymond Roussel, e Nas Trevas Exteriores, de Cormac McCarthy (acrescentando David Copperfield, de Charles Dickens, às dez obras escolhidas).
António Guerreiro destaca Experimentum Humanum, de Hermínio Martins, e A Mão do Oleiro, de Rui Nunes.
José Mário Silva menciona O Progresso do Amor, de Alice Munro, e Luís M. Faria refere em primeiro lugar Middlemarch, de George Eliot.
Luísa Mellid-Franco selecciona O Lago, de Ana Teresa Pereira, e Paulo Nogueira destaca Flush, de Virginia Woolf.
Pedro Mexia, além dos dez títulos escolhidos, menciona outros dez, «em jeito de afinidade ou contraponto», entre eles Impressões de África, de Raymond Roussel.

A Relógio D’Água nos media na semana de 26 de Dezembro de 2011 a 1 de Janeiro de 2012




Na Time Out de 28 de Dezembro, Ana Dias Ferreira considera Canções Mexicanas, de Gonçalo M. Tavares, «mais “excitante” e à flor da pele do que o habitual. Ou seja, um dos seus melhores de sempre, o que é dizer muito».

Portugal, Hoje editado na Sérvia



Portugal, Hoje — O Medo de Existir acaba de ser publicado na Sérvia. A tradução é de Vesna Vidakovic, e a editora a Mediterran Publishing.

Três títulos da Relógio D'Água entre os melhores livros de 2011 no ípsilon





Na lista dos melhores livros de 2011 do ípsilon, elaborada pelos críticos da casa, constam três títulos da Relógio D’Água: Canções Mexicanas, de Gonçalo M. Tavares; Middlemarch, de George Eliot; e A Mão do Oleiro, de Rui Nunes.