9.12.11

Leitura de textos de Robert Walser

 
Cristina Fernandes e Rui Manuel Amaral lêem histórias de Robert Walser (no próximo sábado, 10 de Dezembro, pelas 17h00, no Gato Vadio - Rua do Rosário, 281), escritor de quem a Relógio D'Água publicou seis obras de ficção.

 

«Robert Walser (1878-1956) é um dos mais originais escritores do século XX. Mestre da prosa curta, romancista singular, os seus textos, tantas vezes desconcertantes e difíceis de classificar, situam-se na fronteira entre o real e o fantástico. Ou, para sermos mais rigorosos, pertencem a uma espécie de literatura para a qual ainda não foi inventado um nome.»

7.12.11

Jesus segundo Tom Robbins




«Poderá ser um choque adicional para os leitores ainda estarrecidos com as recentes revelações sobre inconsistências na Bíblia e o facto de Cristo ser judeu, mas a ficção literária apresenta um longo currículo de revisionismos sobre a narrativa básica dos Evangelhos. O último segredo do Cristianismo é a quantidade de penúltimos segredos já “revelados”.» [Rogério Casanova, Público, «Ípsilon», 2-12-2011]

Agendas 2012

 

«Conheço Tolstói e creio que o conheço bem e compreendo qualquer movimento das suas sobrancelhas; mas apesar de tudo gosto dele.» [Carta de Anton Tchékhov a L. A. Avilova, 1899, citada na «Agenda 2012» da Relógio D'Água]

5.12.11

Middlemarch, de George Eliot


Middlemarch (1871-72) é o mais importante romance saído do período vitoriano. Nele, George Eliot aborda todos os temas fulcrais da vida moderna: arte, religião, ciência, política, carácter, sociedade e relações humanas.
Entre as suas personagens estão algumas das mais notáveis da literatura inglesa: Dorothea Brooke (a heroína), Rosamond Vincy (bela e egoísta), Edward Casaubon (o estudioso), Tertius Lydgate (um médico brilhante de duvidosa moralidade), Will Ladislaw (o artista) e Fred Vincy e Mary Garth (namorados de infância).


«Middlemarch é a sua [de George Eliot] mais subtil análise da imaginação moral, possivelmente a mais subtil que alguma vez foi conseguida na prosa de ficção.»

«George Eliot, tal como Emily Dickinson ou Blake, e tal como Shakespeare, repensou tudo para si mesma de uma ponta a outra. Ela é o romancista como pensador (não como filósofo), e frequentemente deturpamo-la porque menosprezamos a força cognitiva que ela traz às suas perspectivas.»

«O romance canónico, no verão da sua existência, pode ter atingido o seu Sublime em Middlemarch, cujo efeito sobre os leitores se mantém “incalculavelmente difusivo”.»
[Harold Bloom]

A Relógio D'Água na Ler de Dezembro de 2011


Na Ler de Dezembro vários dos seus críticos habituais fazem o balanço dos livros publicados em 2011 (apesar de naturalmente não terem podido considerar os saídos entre Novembro e Dezembro, o que no caso da Relógio D’Água deixa de fora obras como Middlemarch, de George Eliot, Canções Mexicanas, de Gonçalo M. Tavares, O Lago, de Ana Teresa Pereira, Lagoeiros, de João Miguel Fernandes Jorge, ou A Chegada de Twainy, de Hélia Correia).


Entre os dez títulos escolhidos por Filipa Melo estão Americana, de Don DeLillo, Crítica da Razão Cínica, de Peter Sloterdijk, e Viver no Fim dos Tempos, de Slavoj Zizek.


Entre os livros seleccionados por José Mário Silva estão O Progresso do Amor, de Alice Munro, e O Duelo, de Anton Tchékhov.


Rogério Casanova destaca entre as suas escolhas Impressões de África, de Raymond Roussel.


O Progresso do Amor, de Alice Munro, A Pantera, de Ana Teresa Pereira, e Crítica da Razão Cínica, de Peter Sloterdijk, são as escolhas de Hugo Pinto Santos.


Finalmente, José Riço Direitinho destaca Crítica da Razão Cínica, de Peter Sloterdijk, e Caso Kukótski, de Liudmila Ulítskaia.
Claro que só fazemos referência aos livros da Relógio D’Água, mas chamamos a atenção para o merecido destaque que vários críticos dão a Vida e Destino, de Vassili Grossman.


No mesmo número da revista, o sempre surpreendente Rogério Casanova revela entusiasmo por Impressões de África, de Raymond Roussel, concluindo que se trata de «uma singularidade que não deixou descendentes, a admiração deve ser constante, perplexa e sem reservas».


Ainda na Ler, José Guardado Moreira escreve sobre O Arranca Corações, de Boris Vian: «tudo se desmorona, neste conto de fadas atípico, em que o amor materno esconde ódios e comportamentos terríveis, numa atmosfera de pesadelo onírico e surreal. A tese central é a de que “os adultos são selvagens, ferozes ou infelizes, condenados à solidão, enquanto as crianças, cúmplices da magia, procuram secretamente a sua paixão de viver”».


A Ler tem ainda espaço para uma breve referência a Cityboy, de Geraint Anderson: «O antigo corretor inglês revela, a cru e sem mediadores, o que se passa nos bastidores de um dos principais centros financeiros do mundo (Londres). A crise como ela é.»

Pensamentos, de Oscar Wilde



«Possuo os gostos mais simples», comentou certa vez Oscar Wilde, «fico sempre satisfeito com o melhor.»
Neste livro os leitores irão encontrar uma selecção de comentários de Oscar Wilde sobre arte, natureza humana, moral, sociedade, política, história e vários outros temas. Epigramas, aforismos e citações — retirados das várias peças de Wilde, dos seus ensaios, romances e ainda de conversas, artigos e cartas — configuram um pensamento sofisticado sob uma aparência paradoxal, divertida ou provocadora.
Como escreveu J. L. Borges: «Lendo e relendo Wilde ao longo dos anos, reparo num facto de que os seus admiradores não parecem sequer ter suspeitado: o facto comprovado e elementar de que Wilde quase sempre tem razão (…) Oscar Wilde é um desses escritores privilegiados que existem sem necessitarem de aprovação dos críticos, nem sequer dos leitores. O prazer que retiramos da sua companhia é irresistível e constante.»

O Lago, de Ana Teresa Pereira




«Ela falou rapidamente. Estava ansiosa por ver o mundo lá fora. Estava ansiosa por ver o lago.
— Sim.
— Posso ir contigo?
Ela tentou sorrir.
— Importas-te que eu vá sozinha?
Ele sorriu também.
— Tens a certeza de que não vais perder-te?
— Se isso acontecer… tu encontras-me.
— Sim.
— Então não tenho medo.
O homem foi buscar um casaco azul-escuro, comprido, e ajudou-a a vesti-lo. Fechou-o no pescoço.
— Não vás para muito longe. Creio que vai nevar outra vez.
— Está bem.
A rapariga saiu para o jardim; a neve estava intacta, e as suas pegadas deixaram um rasto fundo. O ar tinha uma cor azulada: a cor do frio.»