18.11.11

A chegar às livrarias



«No zócalo, um maluco que estava rodeado de fumos disse-me que tinha uma marca que ia do centro da testa até cada uma das pernas: uma marca que começava lá em cima num ponto único e se dividia depois: uma linha para cada perna. Era uma marca invisível, um caminho invisível: primeiro um sítio maldito que partia do centro da testa, mas depois a tinta maldita ia-se diluindo em traço. E de um traço único passava a dois traços, um para cada uma das pernas, traços cada vez mais finos, menos malditos, mais fracos, e chegavam os dois traços aos pés já quase sem forças, sem maldição, sem raiva»



«De pernas esticadas e apoiada nos cotovelos, Yasue olhava o mar. Massas enormes de nuvens fervilhavam gigantescas, imensas na sua tranquila majestade. Dir-se-ia que bebiam todos os barulhos cá de baixo, até o rumor do mar.
Estava-se no pino do Verão e havia fúria nos raios de Sol.
As crianças cansaram-se do castelo de areia. Desataram a correr para que a água jorrasse das poças à beira das ondas. Acordada do pequeno e tranquilo universo pessoal para o qual tinha resvalado, Yasue correu atrás delas.
Mas não estavam a fazer nada que fosse perigoso. Tinham medo do bramido das ondas. Havia um pequeno redemoinho para lá da rebentação. Kiyoo e Keiko de mão dada, com água até à cintura e os olhos brilhantes, faziam frente à água, sentindo a areia mexer debaixo dos pés nus.
— Parece que alguém nos está a puxar — disse Kiyoo à irmã.
Yasue aproximou-se deles e proibiu-os de irem mais longe. Mostrou-lhes Katsuo, não o deviam deixar sozinho, deviam ir brincar com ele. Mas não lhe prestaram atenção. Estavam de pé, de mãos dadas, felizes, e olhavam-se sorrindo. Tinham um segredo: a areia que sentiam mexer debaixo dos pés.»


Reconhecido mestre de visões atormentadas, H. P. Lovecraft criou o seu estilo próprio em 1931 através do livro Nas Montanhas da Loucura.
O relato das misteriosas descobertas de uma expedição às ruínas de uma civilização perdida na Antárctica, onde as ameaças são inesperadas, é uma leitura essencial para qualquer entusiasta do terror clássico.

«H. P. Lovecraft ainda não foi superado como o maior escritor de histórias de terror clássico do século XX.» [Stephen King]

Agenda Relógio D'Água, autores de sempre para 2012




Esta agenda celebra os clássicos, ou seja, os autores que sucessivas gerações de leitores vão redescobrindo e fazendo seus.
Fá-lo através de fragmentos de obras, de correspondência, ou entrevistas de Oscar Wilde, Fernando Pessoa, Lev Tolstói, Walt Whitman, Marcel Proust, García Lorca, Montaigne, Marguerite Yourcenar, Nietzsche, Tchékhov, Walter Benjamin e Virginia Woolf.
Os textos escolhidos são acompanhados de fotografias, quadros e outras ilustrações que procuram descrever o trajecto de vida dos autores e recriar a época em que viveram. A agenda está disponível em duas capas diferentes.


14.11.11

A Relógio D'Água no Expresso de 12 de Novembro de 2011




No Atual do Expresso de 12 de Novembro, Ana Cristina Leonardo escreve sobre O Arranca Corações, de Boris Vian, novela que «estilhaça o conforto realista e não deixará de surpreender os leitores de hoje. Vian, acima de tudo uma cabeça livre, deixa-se levar pelo radicalismo da imaginação, saltando de situações banais para poderosas simbologias, sentimentos trágicos e diálogos soberbos. Sempre com o humor a impedir-lhe a pomposidade. O texto agarra-nos de imediato. Um homem caminha ao longo de uma falésia rodeado de uma Natureza encantadora.»


No mesmo suplemento, num texto intitulado «Um par de Boots», Pedro Mexia escreve sobre Enviado Especial, de Evelyn Waugh, que considera «“incorrecto” e muito divertido. O género satírico de Waugh estava no auge [1938], e são fabulosas todas as conversas surreais sobre a burocracia oficial e a hipocrisia diplomática. Parte da comédia tem um componente à clef, mas mesmo quem não reconheça os modelos em quem o romancista se inspirou pode divertir-se com a presunção, a paranóia e o tédio.»

9.11.11

A Relógio D'Água na revista Os Meus Livros de Novembro de 2011




Na revista Os Meus Livros deste mês, Ana Paula Gouveia atribui quatro estrelas e meia a O Moinho à Beira do Floss, de George Eliot, «pseudónimo da escritora britânica do século XIX Marian Evans», que, diz, «é uma agradável surpresa. Empolgante, emocionante, comovente e dramático são adjectivos que se podem facilmente atribuir à história da família Tulliver e, nomeadamente, à vida da filha mais nova, Maggie, que acompanhamos desde criança até à idade adulta. Insubmissa, curiosa, inteligente, lutadora e independente, Maggie distinguia-se das mulheres de então também pelas suas características físicas, onde se destacam uns grandes olhos negros e uma pele morena.»



Numa crítica a uma obra de Penelope Fitzgerald, Pedro Ribeiro refere o primeiro livro da autora publicado em Portugal, A Flor Azul, que é uma edição da Relógio D’Água.

7.11.11

A Relógio D'Água na revista Ler de Novembro de 2011




Na lista dos livros saídos por dias de Outono, apresenta-se Pela Estrada Fora — O Rolo Original, de Jack Kerouac, com tradução de Margarida Vale de Gato.


Rui Bebiano escreve sobre Viver no Fim dos Tempos, do «filósofo em combate» Slavoj Zizek: «O ponto de partida é a iminência da catástrofe e a procura da redenção.» […] «… publicado originalmente em 2010, é um excelente exemplo dessa prolixidade e da vastidão de um olhar que incorpora a capacidade de questionar as dimensões menos visíveis do mundo actual.»

Cosmópolis de Don DeLillo em filme de David Cronenberg




O realizador David Cronenberg visitou Portugal para apresentar o filme A Dangerous Method, que trata da relação entre Freud, Jung e Sabina Spielrein.
Francisco Ferreira, crítico do Expresso (5-11-2011), escreveu uma reportagem sobre o último dia de rodagens de Cosmópolis, próximo filme do cineasta canadiano, que é também uma produção de Paulo Branco.
A adaptação cinematográfica do romance de Don DeLillo foi filmada em Toronto entre Maio e Julho e deverá chegar às salas de cinema em Maio de 2012.
Cosmópolis foi publicado pela Relógio D’Água em 2003 e, embora tenha sido por algum tempo eclipsado pelos acontecimentos do 11 de Setembro de 2001, o tema readquiriu a maior actualidade.
A personagem do romance, Eric, é um enriquecido corretor da Bolsa, que numa manhã de engarrafamento decide atravessar Manhattan na sua sofisticada limusina para cortar o cabelo. É então que Eric decide apostar contra a subida do iene, o que lhe traz consequências imprevisíveis.

4.11.11

Em Novembro nas livrarias



 
Em Canções Mexicanas, Gonçalo M. Tavares apresenta-nos uma série de fragmentos narrativos de clara nitidez. É a sua visão da actual Cidade do México, uma megalópole de 20 milhões de habitantes, com loucos que se manifestam, lutas de raparigas ainda crianças e suicidas, seres para quem o sentimento europeu de procura de felicidade é algo de incompreensível.
É uma escrita, como em todos os seus livros, avessa às tradições líricas e sentimentais da prosa portuguesa.