12.9.11

Novas Traduções de James Joyce na Relógio D’Água



A Relógio D’Água vai publicar, pela primeira vez, traduções da poesia de James Joyce e lançar novas traduções das suas principais obras de ficção narrativa.
A poesia, Música de Câmara, é traduzida por João Almeida Flor. Paulo Faria traduz A Portrait of the Artist as a Young Man e Margarida Vale de Gato Dubliners. Finalmente, Ulysses é traduzido por Jorge Vaz de Carvalho.



Por outro lado, ao longo de 2012, a Relógio D’Água vai reunir em um ou dois volumes as Obras de Ficção Completas de Virginia Woolf, James Joyce (excepto Finnegans Wake), Oscar Wilde, Franz Kafka, Lewis Carroll e Joseph Conrad.




A Relógio D'Água no Expresso de 10 de Setembro de 2011




No suplemento «Atual» do Expresso de 10 de Setembro de 2011, Pedro Mexia escreve sobre As Desventuras do Sr. Pinfold: «As primeiras décadas da produção romanesca de Evelyn Waugh estão quase integralmente representadas na edição portuguesa: Declínio e Queda (1928), Corpos Vis (1930), Negócios Escuros (1932), Um Punhado de Pó (1934), Enviado Especial (1945) e O Ente Querido (1948); só não existe tradução de Put Out More Flags (1942). Em compensação, não havia nada de 1950 em diante, período em que Waugh saiu um pouco de moda. Essa lacuna é agora preenchida com As Desventuras do Sr. Pinfold, de 1957, o penúltimo romance de Waugh, e o mais autobiográfico.»

9.9.11

A Relógio D'Água no Ípsilon de 9 de Setembro de 2011




No «Ípsilon» do Público de 9 de Setembro, José Riço Direitinho escreve sobre Caso Kukótski, de Liudmila Ulítskaia: «[…] a autora russa cria uma personagem feminina inesquecível, Elena. (…) pertence àquela singular galeria das mulheres que ao longo dos seus livros vão sentindo a degradação, mulheres que no princípio são “resgatadas” pelos homens (sempre com um papel socialmente mais importante) devido à sua beleza, mas que eles aos poucos vão “largando”. Um romance inesquecível.»

De Liudmila Ulítskaia, a Relógio D’Água publicou também Mentiras de Mulher e Funeral Divertido.

8.9.11

A Relógio D’Água na revista Ler de Setembro de 2011




Na revista Ler, José Gil desvenda a José do Carmo Francisco pormenores sobre o seu próximo livro, depois do recente O Humor e a Lógica dos Objectos de Duchamp, de que é co-autor com Ana Godinho: «[…] poderá vir a chamar-se Filosofia do Corpo. A partir de um seminário e de um curso livre que dei na Universidade Nova, analiso em vários campos das ciências humanas (psiquiatria, psicanálise, retórica, politologia) e práticas (tradução e desporto) certos fenómenos em que o inconsciente tem um papel muito importante.»



Tiago Cavaco escreve sobre A Morte, de Maria Filomena Mónica (MFM), publicação da Fundação Francisco Manuel dos Santos com coordenação editorial da Relógio D’Água: «A parte mais vibrante […] é o relato da partida terrena da mãe de MFM. Ficamos com a sensação de que merecia o volume inteiro. As observações são sensíveis e prendem-nos. A estranheza perante as rotinas da religião, o desassombro da crónica em circunstâncias habitualmente mais dadas ao silêncio, o jeito para fazer da nota particular uma inclinação para o provérbio, são apenas algumas das razões que fazem da autora uma voz única na nossa escrita.»



Surge ainda uma breve nota sobre a publicação de De Olhos Abertos, livro de entrevistas do escrito e crítico literário Matthieu Galey a Marguerite Yourcenar, «que reúne testemunhos (alguns inéditos) da autora de Memórias de Adriano».

Novidades da Fundação Francisco Manuel dos Santos com coordenação editorial da Relógio D'Água




A actualidade deste livro não resulta somente da crise do tempo presente. Desde a Antiguidade se sabe que o compromisso com a coisa pública exige desinteresse e virtude, ética frequentemente desmentida pela história concreta do Homem. Daí a permanente tensão entre a idealidade e a prática, pano de fundo que possibilita avanços e recuos num percurso em que, entre o consenso e a contradição, o optimismo épico da aventura humana não raro desagua no seu oposto. O livro que agora vem a lume constitui uma síntese desse itinerário, tendo como eixo a história da ideia de res publica, bem como as suas relações com todas as demais que, combatendo o que conduz ao arbítrio e ao servilismo perante os poderes, potenciam a elevação dos indivíduos à participação cívica.



A liberdade de expressão e a liberdade de imprensa são valores que, mesmo consagrados formalmente como direitos universais do Homem, continuam a ser objecto de vivas controvérsias. Entre a tradição de não intervenção das autoridades públicas iniciada com a aprovação da Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos e a defesa da necessidade do olho vigilante de entidades reguladoras, são também duas escolas de pensamento que se confrontam. Num tempo em que as empresas de media tradicionais enfrentam enormes dificuldades e desafios, importa defender o jornalismo profissional e independente, até porque este desempenha um papel central no equilíbrio dos sistemas de pesos e contrapesos e de governo limitado que caracterizam as democracias modernas.



Neste ensaio falamos de governo da justiça. Em Portugal temos um modelo errado de governo da justiça. A democracia portuguesa decidiu em 1976 que a justiça era um problema dos juízes e dos juristas. Arranjou uma fórmula fácil e desresponsabilizadora, a autonomia do poder judicial. O resultado é uma justiça em crise de ruptura, um Estado de direito democrático deficiente e uma ausência de um plano de reformas estruturantes.
Como qualquer organização, a justiça necessita de um sistema eficiente e eficaz de governação. Isso não pode nem vai acontecer com o actual ordenamento. Temos de mudar os fundamentos do actual modelo de governo da justiça. A médio prazo, o poder político deve simplesmente abandonar o actual modelo de conselhos judiciários.

6.9.11

A Relógio D'Água na revista Os Meus Livros de Setembro de 2011




Na revista Os Meus Livros de Setembro de 2011, dá-se conta da chegada às livrarias de Sob a Rede, o primeiro romance de Iris Murdoch, que «decorrre numa zona de Londres onde os escritores em luta pelo reconhecimento estão lado a lado com apostadores profissionais de sucesso, estrelas de cinema ou filósofos inquietos».



Na mesma revista, Hugo Pinto Santos escreve, sem contras a apontar, sobre O Progresso do Amor, de Alice Munro, «escritora canadiana, contista de notável oficina»: «Onze narrativas servidas por uma escrita de impecável rigor, uma ficção despojada, de concisão desarmante. […] Não são de amor, estes contos, tão-pouco de desamor; antes um progresso guiado pelo equívoco e o forçoso, cativeiro familiar ou outro, o medo, a luxúria poisos onde o amor é uma luz que não chega a acender-se toda.»



Teresa Pearce de Azevedo leu a «lição de vida» de Marguerite Yourcenar, De Olhos Abertos: «O livro, para quem já a conhece ou à sua obra, é mais um ponto de interesse. Caso seja um “novato” no tema, é uma óptima maneira de o abordar.»

5.9.11

Talvez o último texto de Raúl Ruiz




O prefácio de Raúl Ruiz à edição de Mistérios de Lisboa de Camilo Castelo Branco é talvez o último texto escrito pelo realizador chileno recentemente falecido.
Publicado em Outubro do ano passado, o texto aborda a concepção literária e cinematográfica de Raúl Ruiz. Publica-se a seguir um extracto desse prefácio.

«No Chile, no final dos anos 50, quando comecei a interessar-me pelo teatro e pelo cinema, os raros aspirantes a dramaturgos, e ainda menos a cineastas, éramos submetidos ao treino daquilo que se designava por «técnica de construção dramática». Em poucas semanas, professores vindos do Norte punham-nos a par das técnicas simples e eficazes que permitiam encenar histórias que interessavam a toda a gente. A história, diziam-nos, começa quando alguém em quem focalizamos a nossa atenção quer alguma coisa e luta para consegui-la (Guilherme Tell quer partir a maçã que o seu filho tem sobre a cabeça, e não a própria cabeça). Existe sempre nela risco, incerteza, peripécias submetidas ao destino da flecha que o herói vai atirar (de facto, ela encarna aqui literalmente a flecha narrativa, que deve servir de guia a toda e qualquer história).
Há crise, clímax e desenlace.
E depois felicidade ou tragédia.
Para os adolescentes que nós éramos naqueles tempos, a doxa peremptória do sistema narrativo americano era irrefutável. Mais tarde, o teatro épico de Brecht tentou fazer uma crítica (esmagadoramente dogmática) do chamado drama burguês, sem grandes resultados.
O teatro épico chegou e partiu sem alterar muito as coisas. Pelo contrário, o moderno drama americano veio para ficar. Eu, nem épico nem moderno, optei por refugiar-me na dramaturgia dos sonhos.
Mas, essa «toda a gente»? Esse cidadão comum? O homem anónimo, o obscuro contribuinte a quem se destinavam as histórias que íamos contar?
Bem, para esses havia os melodramas mexicanos, as novelas da televisão, o teatro radiofónico da tarde e da noite, de antes do pequeno-almoço.
Que contavam as histórias dos dramas populares?
Nada em particular e tudo em geral (ser feliz, o grande amor, fama imortal e coisas assim).»