9.7.10

Zadie Smith escreve sobre Kafka na NYRB




«The diaries are the same, only more so: few people, even in that solipsistic form, can have written “I” as frequently as he. People and events appear rarely; the beginning of the First World War is a matter to be weighed equally with the fact that he went swimming that day. The Kafka who wrote the fictions was a man of many stories; the private Kafka sang the song of himself.»

[Ler na íntegra aqui]

8.7.10

«Inverness» em recensão na revista «Os Meus Livros»


«Voltemos ao início: Kate é actriz, nasceu em Inverness - um sítio onde às vezes o mar gela -, quase não dorme, vagueia durante a noite pela cidade londrina; ele é Clive, escritor, nasceu em Londres e estudou em Oxford, espera por Kate à saída do teatro, com um ramo de rosas na mão. Kate vai tomar o lugar de Jenny, a esposa de Clive que terá desaparecido.
À medida que a narrativa avança, o enigma policial é quase esquecido e procura-se antes descobrir onde está a realidade.
Inverness é um livro complexo, com vários desfechos possíveis. O leitor sabe que vai encontrar um ambiente marcadamente autoral, onde o que interessa é a "inquietante estranheza das histórias".»

[Recensão de Eduarda Sousa, Os Meus Livros, JUL2010]

6.7.10

«Os Meus Livros» recomenda dois clássicos da RDA para levar de férias


«... é um dos romances fundadores[do tema da Maldade] no seio da Literatura ocidental, através da figura de Raskólnikov, que cometeu um crime e se debate com as consequências desse acto - incluindo o julgamento perpetrado pela sua própria consciência. (...) Para o protagonista desta obra, a confissão do crime seria uma libertação, mas também uma sentença de morte.»







 
«... uma outra obra significativa, escrita por um homem que muito sofreu por não se integrar no seu tempo (...). Escrito em segredo entre 1929 e 1940 por Mikhail Bulgákov, o romance contrapõe uma Moscovo da época, à data da vida de Cristo, articulando de forma extremamente inteligente as decisões do passado com a sua inevitabilidade, explicada pelo quadro de fantasia onde se movem os protagonistas da história. (...)
No centro da trama, o Diabo e o seu séquito semeiam a confusão, tirando todo o partido das fragilidades de quem vê nos bens materiais e no estatuto as mais importantes garantias para uma vida feliz e recompensadora.»

[Revista Os Meus Livros, JUL2010]

Imagens raras de Tolstói perto do final da vida





Amores, de Henry Green, recomendado por Os Meus Livros


«Passado num solar, durante a II Guerra Mundial, Amores é uma história sobre a vida de uma aristocracia em declínio e as relações entre os seus numerosos criados. Se W. H. Auden considerou Green (pseudónimo literário de Henry Vincent Yorke; 1905-1973) como "um dos melhores escritores ingleses", Anthony Burgess destacou como os seus livros "permanecem tão sólidos e brilhantes como jóias". E John Updike chegou a citá-lo como uma das suas influências.»

[Revista Os Meus Livros, JUL2010]

Slavoj Žižek em entrevista ao El País


"Hay una poesía que actúa como fundamento de las patrias y sin la cual no podríamos entender el odio", apunta el pensador esloveno Slavoj Zizek (Liubliana, 1949). Por eso, propone: "Necesitamos controlar a la poesía, tras cada limpieza étnica hay un poeta". El lunes ofreció una conferencia en Barcelona en la que reflexionó, como en su último libro (Sobre la violencia, Paidós), sobre el mal, las perspectivas del capitalismo, el hundimiento de los proyectos colectivos tras la desaparición del mundo soviético. Aunque se reconoce como izquierdista, sostiene que habla "sin nostalgia" porque el "socialismo de Estado tenía que morir. En realidad, cuando se certificó su defunción llevaba años muerto, sin saberlo". Y lo explica con una imagen sacada de las películas de Tom y Jerry: "El gato corre, se acaba la tierra y sigue corriendo en el aire. Hasta que mira abajo y ve que lo hace en el vacío. Y se cae precisamente por mirar".

[Ler na íntegra aqui]

Ana Teresa Pereira em entrevista ao Ípsilon


«Eu acredito que há um inconsciente do livro. A partir de certa altura começo a senti-lo. Uma frase que surge inesperadamente. Um gesto que ganha um novo sentido. Existe algo lá no fundo que por vezes vem até à superfície.
E então todas as frases se tornam misteriosas. Todas as palavras se tornam estranhas. De certa forma, é uma língua desconhecida.
E apaixono-me profundamente pelo livro.
[...]
Se um escritor está em total sintonia com o livro, esse é quase um estado de consciência alterada. E o que é mais estranho é que o escritor pode forçar a realidade. Pode invocar as suas personagens (e foi num teatro de Londres que uma das minhas personagens se veio sentar ao meu lado). Pode entrar numa livraria numa cidade desconhecida e encontrar o livro ou a gravura de que precisava. Entrar numa loja de ícones, atravessar uma ponte, ver um gato num barco e sentir que aquilo faz parte do livro.

Sou capaz de usar uma pessoa. O escritor de Intimações de Morte é inspirado num escritor real, e lembro-me de que usei frases dele e fragmentos das suas cartas.

E sou capaz de tudo para defender o livro que estou a escrever do mundo exterior.»


[Entrevista conduzida por Rui Catalão, Ípsilon, 2JUL2010]