«Esta novela», diz Dóris Graça Dias na revista LER de Abril, «é uma singela homenagem de Tolstói ao povo cossaco, caracterizado pela independência face aos senhores feudais e por uma forte relação com a terra e com as artes da guerra.» O interesse de Tolstói, porém, como sublinha DGD, incide concretamente no dilema do protagonista: «Sentindo-se rejeitado, só resta a Olénin regressar ao lugar que rejeitou, assumindo o drama de não pertencer a lugar nenhum.»
6.4.10
1.4.10
Adoecer de Hélia Correia Apresentado na Biblioteca Nacional
A Professora Isabel Fernandes apresentará Adoecer, uma obra de ficção inspirada em Elizabeth Eleanor Siddal e no seu encontro com o poeta e pintor Dante Gabriel Rossetti. O romance fala-nos também de todo o universo pré-rafaelita.
O Professor Ernesto Rodrigues abordará o conjunto da obra de Hélia Correia, que inclui dezassete romances e obras de teatro publicados na editora Relógio D’Água.
A organização desta iniciativa da Biblioteca Nacional é da Dra. Teresa Sobral Cunha.
25.3.10
Livros da Relógio D’Água nos Media (de 8 a 21 de Março)
No suplemento Actual do Expresso de 20 de Março, Ana Cristina Leonardo critica Crónica de Wapshot de John Cheever.
«Uma saga familiar tem de ser uma coisa chata? Não tem. A prova está neste livro de John Cheever (1912-1982), contista de primeiríssima água que se estreou no romance – só em 1957 – com este livro, que lhe valeria o National Book Award. Conhecido na América como o “Tchékhov dos subúrbios” – por aplicar a sua análise cirúrgica da natureza humana, similar à do escritor russo, a personagens que situa em lugares na aparência idílicos, e a palavra-chave é, claro, “aparência” -, Cheever retrata em Crónica de Wapshot a família do mesmo nome, cujas origens remontam ao século XVII e que desde essa altura vive na região de St. Botolphs, terra em decadência e porto fluvial que já conheceu melhores dias.»
No mesmo Actual é ainda feita uma análise de O Homem Que Era Quinta-Feira de G. K. Chesterton. Segundo Luís M. Faria:
«Para descrever este romance, tem-se falado num cruzamento entre Wilde e Kafka. Como em Wilde, há simetrias cómicas em abundância e paradoxos que subitamente põem verdades a descoberto. Como em Kafka, há uma evolução gradual para o inferno em nome de uma lógica irresistível.»
No Ípsilon de 12 de Março, Luís Miguel Queirós escreve sobre Um Toldo Vermelho de Joaquim Manuel Magalhães.
« A diferença essencial é que a natureza da reescrita que subjaz a este novo livro não é idêntica àquela que podemos rastrear nas duas anteriores reconfigurações da sua obra poética. A ponto de ser duvidoso que, em rigor, se deva aqui falar de reescrita, já que esta visa sempre criar textos que possam ser lidos na ignorância dos seus antecessores. O seu objectivo é justamente o de apagar as etapas intermédias, reformatando a obra passada de acordo com a poética que no presente a estrutura.
Ora, se é evidente que os poemas de “Um Toldo Vermelho” podem ler-se enquanto textos autónomos – irão fatalmente ser lidos assim por futuros leitores -, boa parte deles só faz realmente sentido “em função” dos poemas originais. O texto que abre o livro é um bom exemplo deste dispositivo»
25.2.10
Lançamento de Mãe-do-Fogo de João Miguel Fernandes Jorge e João Cruz Rosa
O livro Mãe-do-Fogo com poemas de João Miguel Fernandes Jorge e ilustrações sobre desenhos e aguarelas de João Cruz Rosa vai ser apresentado no próximo dia 4 de Março pelas 19.30 na Galeria Monumental, no Campo dos Mártires da Pátria, 101, em Lisboa.
Além da apresentação do livro, editado pela Relógio D’Água, será feita uma exposição dos trabalhos presentes no livro de João Cruz Rosa.
23.2.10
Romance de Hélia Correia e Poesia de Jaime Rocha lançados em Março
O romance Adoecer de Hélia Correia e o livro de poesia Necrophilia de Jaime Rocha vão ser lançados em Março próximo.
No prefácio escrito para Necrophilia, João Barrento insere esta obra de Jaime Rocha na Tetralogia da Assombração de que ela faz parte, a saber:
«Do Extermínio (que) seria, assim, o livro da Anunciação, Os Que Vão Morrer (2000) o livro do Combate, Zona de Caça (2002) o livro da Perseguição, Lacrimatória (2005) o livro da Perda e do Luto e Necrophilia (escrito em 2009) o livro da Culpa e do Lamento.»
«Das grandes forças que sustentam o mundo, e nele actuam como choque, o Mal será uma das fortes e mais presentes – e também necessárias (Baudelaire, e depois dele Musil ou Kafka, sabiam disso).» – considera o prefaciador. «Ora, o Mal, em todo o amplo espectro das suas significações e manifestações (…) atravessa quase toda a obra de Jaime Rocha.»
O novo romance de Hélia Correia, impregnado pelo ambiente dos pré-rafaelitas, inicia-se com uma visita ao túmulo da família Rossetti, no cemitério de Highgate: «À cripta dos Rossetti não se acede de modo confortável. Eu não sei se o teixo que a ensombra é ainda o mesmo que foi plantado para o primeiro enterro. Os teixos são longevos, isso é certo. As inscrições nas lápides mantêm os nomes dos seus mortos bem legíveis. A humidade inglesa não foi tão implacável como é do seu costume. As chuvas deslizaram pelas pedras como se as respeitassem. Com excepção da que assinala Lizzie. O texto que o buril afundou nela ganhou alguma qualidade orgânica. Águas e águas se depositaram, chamando os musgos para a reprodução. Está deitada na terra, a sua laje, muito verde, marcando uma diferença na família que nunca foi a sua. Apesar de italianos, os Rossetti podiam dar lições de frieza aos londrinos em especial no modo de tratar noras indesejadas. O único Rossetti que a amou, e, ainda assim, de singular maneira, foi sepultado longe, junto ao mar. Não quis que o enterrassem junto dela. Tinha a certeza de que não se morre e não era a certeza dos cristãos.»
19.2.10
Livros da Relógio D’Água nos Media (semana de 8 a 14 de Fevereiro de 2010)
No jornal Sol de 12 de Fevereiro, Filipa Melo escreve sobre Cossacos de Lev Tolstói.
«Iniciada em 1852 e concluída em 1863, a novela Cossacos condensa o melhor dos dons narrativos de Tolstói: extraordinária tonalidade descritiva (por exemplo, no fim de tarde caucasiano, “o ar era rarefeito, imóvel e sonoro”) e aquilo que os críticos russos salientam como capacidade de reproduzir o familiar como estranho, como se o víssemos pela primeira vez.»
No suplemento Actual do jornal Expresso de 13 de Fevereiro é feita uma crítica a Autores, Editores e Leitores de Francisco Vale. Carlos Bessa afirma que «é muito rara entre nós a actividade de reflectir sobre a edição e mais raro ainda que tal seja levado a cabo por um editor».
18.2.10
Livros da Relógio D’Água nos Media (semana de 1 a 7 de Fevereiro de 2010)
Na revista LER de Fevereiro de 2010, José Riço Direitinho escreve sobre Hipátia de Alexandria de Maria Dzielska, considerando que «é um exemplo de como a História raramente se faz sem erudição, tenacidade, inteligência e muito trabalho».
Na mesma revista, Filipa Melo escreve sobre Wilkie Collins a propósito da edição pela Relógio D’Água de A Mulher de Branco e A Pedra da Lua. Sobre A Mulher de Branco afirma que «a narração, aparentemente descontraída e simples, progride em proporção com a inquietação do leitor. Virada a última página, A Mulher de Branco confirma-se como uma experiência de leitura difícil de esquecer».
Ainda na LER de Fevereiro, entre os 50 livros de Ciência publicados em Portugal neste século são escolhidas 4 obras publicadas pela Relógio D’Água, a saber O Computador e o Cérebro de John von Neumann, Porque É Que a Vida Acelera à Medida Que Se Envelhece de Douwe Draaisma, Uma Mente Brilhante de Sylvia Nasar e A Viagem do Beagle de Charles Darwin.
No Público de 5 de Fevereiro, Maria Conceição Caleiro escreve sobre Hannah Arendt e Martin Heidegger de Elzbieta Ettinger. No final da crítica afirma que Hannah Arendt «sempre precisou de se representar sempre como a mulher da vida de Heidegger, aquela que o teria compreendido como ninguém. Ilusão (ou não) que ele acalentou. Cinquenta anos – amor e cumplicidade, inextirpável – de filósofo para filósofo».
Na revista Actual do Expresso de 5 de Fevereiro Luís M. Faria analisa o romance A Ilha de Arturo de Elsa Morante, que considera uma excelente narrativa sobre a adolescência. Em sua opinião, a autora é digna de uma atenção pelo menos tão grande como merece o escritor Alberto Moravia, com quem viveu anos e anos.
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