24.11.09

Livros da Relógio D’Água nos Media (de 8 a 22 de Novembro)

No Ípsilon de 13 de Novembro, Rui Lagartinho escreve sobre A Lebre de Vatanen de Arto Paasilinna.
«Este romance mudou a sua vida e permitiu-lhe dedicar-se a escrever romances a tempo inteiro. A partir da descoberta pela França da sua obra, esta tornou-se mais conhecida e hoje está traduzida em quase trinta línguas (…). O estilo cómico e cínico mantém-se dentro do universo da comédia de situação: entre o realismo e o absurdo, com gente bizarra, independente e rodeada de animais selvagens. A paisagem finlandesa, agora mais reconhecível pelos leitores fiéis em todo o mundo, desdobra-se em si próprio.»No mesmo suplemento do Público mas de 20 de Novembro, Helena Vasconcelos critica A Vista de Castle Rock da contista Alice Munro.
«A “montagem” destes relatos, semelhante à construção de um “quilt” – estas míticas mantas de retalhos são feitas a partir de contos, memórias, imagens, sensações que pacientemente se entrelaçam ao sabor da memória – constitui um exemplo da extraordinária arte de contar da autora.»
No mesmo número, Eduardo Pitta descreve A Cidade Sitiada de Clarice Lispector como «monotonia, frases curtas, respiração dodecafónica. Só pode ser Clarice do outro lado do espelho».

29.10.09

Resultados do concurso para tradutores

Considerada a votação sobre as provas de tradução das sete primeiras páginas de Under the Net, The Man Who Was Thursday e The Country Girls e ouvidas as razões dos membros do júri que apreciaram as previamente seleccionadas na Relógio D’Água, as conclusões são as seguintes:
1 – Das quinze provas apreciadas pelo júri (cinco por cada livro), só duas, as de Francisco Silva Pereira em Under the Net e José Gabriel Flores em The Man Who Was Thursday, tiveram uma média de classificação positiva, obtendo respectivamente 6,7 e 6,4 pontos, numa escala de 1 a 10. Tendo o júri considerado que se trata de tradutores que revelam capacidades, mas para quem os livros em causa são de tradução problemática, atribui-se a ambos o segundo lugar, pelo que receberão propostas de tradução de obras consideradas mais acessíveis ainda durante a próxima semana.
2 – De um modo geral, as provas são insatisfatórias, revelando fragilidades na formação como tradutores e alguma falta de experiência dos concorrentes.
3 – Para que os participantes possam retirar experiências desta iniciativa, vamos enviar a partir de terça-feira próxima para todos os 113 concorrentes a opinião dos membros do júri sobre as 15 provas que lhes foram submetidas e que serão apenas numeradas, ou seja, sem indicação do nome do concorrente, o que funcionaria como um resumo dos principais problemas detectados.
4 – A Relógio D’Água agradece a todos os participantes (113 ao todo) e aos membros do júri, Margarida Vale de Gato, Paulo Faria e Miguel Serras Pereira

Concurso para tradutores de inglês

Os resultados do concurso saem hoje à tarde.

20.10.09

Novo livro de António Barreto

A Relógio D’Água irá publicar Anos Difíceis de António Barreto, uma colectânea de «Retratos da Semana» publicados entre 2003 e 2009, no jornal Público.


«Finalmente, um traço dominante deste período é o do uso intensivo e persistente da propaganda e de todas as formas de construção e orientação da informação. Estes últimos anos marcam a consolidação do modo profissional de informar a população. Governo, partidos políticos, grupos parlamentares, grandes grupos económicos, associações empresariais e sindicatos recorrem, cada vez mais e agora de modo consistente, a organizações especializadas de comunicação. Este esforço é, obviamente, liderado pelo governo, com recursos ilimitados para dirigir a informação e organizar a comunicação, de acordo com os seus interesses e conveniências. São centenas, talvez milhares de profissionais, incluindo muitos jornalistas, a exercer as suas actividades de comunicação em conformidade com as expectativas dos seus mandantes. A actividade política desenrola‑se agora de acordo com o que se chama, na gíria, a “agenda” política. Esta é uma mera construção de conveniência, uma maneira de condicionar a informação e a opinião.»

Da Apresentação

Arto Paasilinna na Relógio D’Água


Acaba de sair A Lebre de Vatanen de Arto Paasilinna.
A Relógio D’Água irá, em breve, publicar também Aprazível Suicídio em Grupo, do mesmo autor finlandês.
A Lebre de Vatanen



Vatanen é jornalista em Helsínquia. Num domingo à tarde de Junho, quando volta do campo com um amigo, este atropela uma lebre numa estrada. Vatanen sai do carro e embrenha-se nos bosques. Consegue descobrir a lebre ferida, faz-lhe uma tala grosseira e mergulha deliberadamente na natureza.
Este livro tornou-se um romance de culto nos países nórdicos, ao narrar as aventuras de Vatanen, deslocando-se ao longo das estações para o círculo polar com a sua lebre servindo como uma espécie de salvo-conduto.
Aprazível Suicídio em Grupo



É precisamente no S. João, festa de luz e alegria realizada em pleno Verão, que um pequeno empresário em crise, Onni Rellonen, decide acabar com a vida. Mas quando, de pistola no bolso, se aproxima de um celeiro isolado, local ideal para uma morte tranquila, depara com uma estranha cena. E, no último momento, consegue salvar um outro candidato ao suicídio já com um nó corrediço apertando em volta do pescoço. É o coronel Kemppainen, um inconsolável viúvo que escolhera igualmente aquele luminoso solstício para pôr fim à vida.
Influenciados por este acaso renunciam à sua intenção comum e conversam sobre as razões que os levaram a tomar tão sombria decisão. Já em casa de Onni preparam uma sauna, bebem, pescam e tratam-se por tu.
Depressa chegam à conclusão que na Finlândia existe um grande número de candidatos ao suicídio. E daí até à ideia de fundarem uma associação de «candidatos ao suicídio» vai um passo. Colocam um anúncio:

ESTÁ A PENSAR SUICIDAR-SE?

Não entre em pânico, não está sozinho.
Também nós temos pensamentos semelhantes,
e até alguma experiência. (…)
Respostas à Posta Restante dos
Correios Centrais de Helsínquia,
para: «Tentar em conjunto.»


E um dia, acompanhados de três dezenas de companheiros, partem num confortável autocarro para uma aprazível viagem de suicídio colectivo. Atravessam a Europa em busca do melhor precipício para se lançarem no vazio. Entre os candidatos, encontram-se alguns com bastante humor, outros mais sombrios, mas todos eles participando nas ferozes reflexões de Paasilinna sobre o suicídio enquanto desporto finlandês.
Acabam por encontrar o local ideal em Portugal, uma falésia junto à Fortaleza de Sagres.
Aprazível Suicídio em Grupo é uma narrativa irónica e macabra, que provoca riso e compaixão. É também uma fábula terna e ácida sobre vidas sombrias.

Livros da Relógio D’Água nos Media (semana de 10 a 18 de Outubro)

Na Actual do passado dia 17, Ana Cristina Leonardo aborda Os Irmãos Tanner de Robert Walser. Segundo a crítica do Expresso:

«De características autobiográficas e estranhamente premonitórias, este romance, assinado por um escritor que passou grande parte da vida num hospício (“Estou aqui, não para escrever, mas para ser louco” – responderia a um homem que o visita em Herisau), é, como todos os livros de Walser, uma obra-prima de delicadeza.»

Concluída a primeira fase do concurso de tradução

Até ao final do dia 18 recebemos 113 provas de tradução (42 para Iris Murdoch, 41 para G. K. Chesterton e 30 para Edna O’Brien). As traduções estão já a ser avaliadas por Isabel Castro Silva e Michelle Nobre Dias, assistentes editoriais da Relógio D’Água. As 15 seleccionadas, 5 por cada autor, vão ser, na próxima sexta-feira, dia 23, remetidas anonimamente para o júri, constituído por Miguel Serras Pereira, Paulo Faria e Margarida Vale de Gato.
O resultado final será divulgado a 28 de Outubro.