29.6.09

Livros da Relógio D’Água nos Media (semana de 22 a 28 de Junho de 2009)

Na Actual do Expresso, Ana Cristina Leonardo aborda o romance Cão em Fuga (1978) de Don DeLillo. Depois de descrever aspectos da trama, a jornalista conclui que:

«Naturalmente, tudo isto é transfigurado pela mão de Don DeLillo, porventura um dos maiores da geração que segue a de Roth (pode gostar-se mais de Cormac McCarthy, mas não é obrigatório ter de escolher entre dois sabores distintos). Paranóia, tecnologia, conspiração, contemporaneidade são temas que interessam DeLillo e que estão presentes nele desde o princípio. Retratista de um tempo galopante, que ainda assim não recusa os factos do dia, o escritor de origem italiana sabe traduzir a realidade numa aventura literária, muito crítica mas nunca didáctica, cruel mas, apesar disso, cheia de personagens vulneráveis.»

Também na Actual, José Guardado Moreira fala de O Despertar de Kate Chopin.

«A escritora, nascida em St. Louis, de ascendência irlandesa, foi criada num meio puritano até casar. Viajou pela Europa, teve filhos e, após a morte do marido, tomou conta das plantações da família, tendo-se apaixonado por um vizinho casado. Mais tarde regressou à cidade natal e, influenciada por Maupassant e Flaubert, enceta uma carreira literária, publicando várias antologias de contos e dois romances. Este livro é uma surpresa, escrito num tom delicado, mas que espelha as forças imensas do desejo. A história de uma mulher burguesa que decide mudar de vida, apaixonando-se por um visitante assíduo da casa, rasga a tule das boas aparências e lança ondas de choque que não podem ter um final feliz.»

Ainda na Actual, Luís M. Faria escreve sobre A Pena do Diabo, um dos últimos policiais de Minette Walters.

«Ao contrário de outros autores, Walters não abusa das digressões informativas, nem revela uma especial inclinação por diálogos de um moralismo mal disfarçado. Alternando narração directa com e-mails e com notas soltas (pensamentos sob tortura, etc.) – na perspectiva da protagonista – como um longo exercício de “inundação”, ou seja, de tratamento da fobia, praticado enquanto a própria vai conseguindo admitir, a conta-gotas, aquilo que lhe aconteceu.»

Em Os Meus Livros de Julho de 2009 é feita uma pré-publicação de A Vista de Castle Rock da canadiana Alice Munro, galardoada com o Man Booker Internatonal Prize 2009.
A revista refere ainda Parece Mesmo o Paraíso de John Cheever, na rubrica «Títulos Disponíveis e Recomendáveis».
Nas críticas é analisada a novela Funeral Divertido de Liudmila Ulítskaia. Curiosamente nos «Contras» a crítica, Rita Bonet, que parece não gostar de oxímoros, refere o «título».

26.6.09

A Violência segundo Žižek: Livro e Vídeo

Violência, que sai na próxima semana para as livrarias, é um dos mais importantes livros de Slavoj Žižek. E aborda temas da actualidade:

«O tom que prevalece cada vez mais nas reuniões de Davos é o de um grupo de empresários – alguns dos quais se designam ironicamente a si próprios como “comunistas liberais” – que já não aceitam a oposição entre Davos (o capitalismo global) e Porto Alegre (a alternativa ao capitalismo veiculada pelos novos movimentos sociais). A sua tese é que podemos ter o bolo capitalista global, ou seja prosperar como empresários de sucesso e, além disso, comê-lo, ou seja aprovar as causas anticapitalistas da responsabilidade social e a preocupação ecológica. Assim, Porto Alegre deixa de ser necessário, uma vez que Davos pode transformar-se em Porto Davos.»

[De Violência de Slavoj Žižek (tradução de Miguel Serras Pereira)]

Sobre o tema da Violência Žižek deu uma conferência em 2008 na Universidade de Leeds a convite do International Journal of Žižek Studies.

24.6.09

Falar de Livros Que Não Lemos


Pierre Bayard escreveu um livro, Como Falar de Livros Que Não Lemos já traduzido em vinte línguas e que em França vendeu mais de 40 mil exemplares. Ainda não o li e não vou usar a autorização que o autor dá para mesmo assim falar dele. Recorro apenas às suas declarações num debate que teve com Umberto Eco na New York Public Library a 17 de Novembro de 2007 (pode ser consultado aqui) e que foi, em parte, reproduzido em Le Magazine Littéraire deste mês de Junho.
Bayard afirma que «o importante é que não haja etiquetas, “livros lidos” e “livros não lidos”. Considera-se, em geral, que uma fronteira os separa. Ora uma tal diferenciação não é sistematicamente útil. Muito francamente sou incapaz de dizer se percorri ou não vários livros de Hegel, Lacan e Freud…» E falando do seu filho, que se queixa dos processos de leitura no sistema escolar francês, Bayard diz que «lhe acontece ler um livro de que gosta e de que, no entanto, é incapaz de dar informações detalhadas porque sonhou, imaginou, parou para ver uma rapariga na rua… É isto a leitura»…
O exemplo não é dos mais actuais. Como se sabe, agora são as raparigas que lêem e os rapazes que passeiam… De qualquer modo, o livro de Bayard constata, e esse é o seu relativo mérito, tendências existentes. O problema é que transforma a necessidade em virtude.
Ninguém consegue ler, na íntegra, mais do que alguns milhares de livros ao longo da vida. Estamos mesmo numa época de cada vez menos «grandes leitores», embora aumente o número dos que lêem. Há cada vez mais livros de literatura, ciências humanas e hard science à disposição em livrarias e bibliotecas. E é evidente que nos vamos esquecendo do que lemos há algum tempo (o tema foi já abordado nos anos 80 por Patrick Süskind). Por outro lado, as sociedades ocidentais dispõem de uma diversificada «máquina» cultural em que jornalistas, críticos, professores «lêem» para os outros.
Daí que todos aqueles que se movimentam nos meios culturais falem, por vezes, de obras que não leram mas de que têm referências e de livros que deixaram incompletos ou que caíram no limbo de um relativo esquecimento. Não há nisso problema algum desde que as coisas fiquem esclarecidas.
Há noventa por cento de adolescentes norte-americanos que não conseguem ler sem um som musical em fundo. E os estudantes do secundário português que se preparam para as provas de exame lendo prontuários de vinte páginas de Os Lusíadas ou de Os Maias, não precisaram de Pierre Bayard para falarem, com mais ou menos desenvoltura, de romances que não leram.
Mas é significativo o êxito que o livro de Bayard teve em França. É um país em que nos últimos trinta anos as instituições subsidiaram massivamente a literatura e a arte, o que fragilizou a criação e permite a publicação de muitos livros que quase ninguém lê, mas que entram nos mecanismos culturais em termos de crítica e de recensão, o que acentua a disposição para falar de obras de que apenas se tem referências esparsas. Paris recusa-se mesmo a aceitar que deixou de ser o centro cultural que foi há um século, o que se revela no modo como a crítica saúda cada assomo de talento como um novo Montaigne, Proust ou Céline…
A questão essencial é, porém, outra. No debate travado na biblioteca nova-iorquina, Umberto Eco reconheceu que não leu alguns clássicos italianos, como Orlando Innamorato, embora seja capaz de falar dele durante vinte minutos e dissertar sobre as suas ligações com Ariosto. O autor de Obra Aberta, Lector in Fábula e Os Limites da Interpretação admitiu mesmo que saiu de um impasse na investigação para a tese de doutoramento quando interpretou mal uma citação do abade Vallet.
No entanto, Eco é claro no essencial. Para ele, «é preciso seleccionar na nossa vida os livros que devemos ler na íntegra e interpretar fielmente, sem inventar ou falsificar o que quer que seja». E embora defenda que se pode interpretar ou utilizar os livros e considere que se podem folhear as páginas de uma obra, sublinha que os livros devem ser respeitados «por e neles próprios».
É talvez esta a divergência essencial. Embora Bayard admita que «certos livros devem ser lidos da primeira à última página», a verdade é que celebra uma cultura de conhecimentos parciais e de fluxos discursivos não estruturados. Limita-se a teorizar com algum humor gaulês, a situação de vidas urbanas sem vagar nem silêncio, as leituras dispersas, que tendem a intensificar-se com certos usos da Net que dão a ilusão de se poder «recordar» o que quisermos com a ajuda do Google ou de outro motor de pesquisa. Ora como Eco sublinhou só é possível usar as referências, as leituras incompletas ou algo esquecidas, se tivermos interpretado através de uma leitura integral um certo número de obras de referência. De outro modo cai-se no risco de um desconstrucionismo social selvagem.
As pessoas melhor preparadas para a sociedade em que vivemos não são as que desenvolvam a arte de falar de livros que não leram, mas as que articulem as capacidades de leitura com o uso das novas tecnologias.
Além disso, Bayard, psicanalista de profissão (mesmo sem saber que livros de Freud «percorreu») e professor na Universidade de Paris-VIII, esquece os livros de ciências «duras» e sociais.
Ora como diz Steiner em Os Livros Que Não Escrevi, uma literacia actual inclui nos seus «elementos básicos» as matemáticas, a música, a arquitectura e a biogenética.
Há, de facto, uma grande diferença entre Escrever Sobre os Livros que Não Escrevemos e Falar dos Livros que Não Lemos.

Francisco Vale

19.6.09

Sondagens e Tops de Vendas Ou o «Feitiço Contra o Feiticeiro»

Há uma explicação possível para o fracasso das sondagens nas «europeias», tendo em conta que as técnicas de amostragem foram semelhantes às do passado. É a de as próprias sondagens terem interferido nos votos com um efeito contrário ao habitual (a maioria das pessoas junta-se, em geral, aos vencedores, e foi assim que até agora as sondagens funcionaram).
Embora seja uma hipótese a necessitar de investigação, é provável que na previsão de uma vitória do PS, os seus eleitores descontentes, a começar pelos professores, tenham achado preferível uma praia algarvia a confirmar a arrogância de um governo cuja continuação nem sequer estava em causa. Por seu lado, os votantes centristas, preocupados com o desaparecimento do CDS nas sondagens e na perspectiva de um reforço do BE e do PCP, decidiram ignorar as «pontes».
O curioso é que desde há muito que alguns livreiros aplicam o método dos «reflexos miméticos» nos tops de vendas que divulgam ou expõem nas lojas (e o mesmo se poderia dizer das editoras que colocam cintas com referências à enésima edição ou imprimem nas capas fabulosos números de vendas num qualquer país). Constata-se, com alguma frequência, que os tops de uma dada livraria ligada a um grupo editorial tem as respectivas obras bem mais destacadas do que o estão numa livraria «neutra» ou ligada a outro grupo. Claro que o facto de as exporem melhor pode suscitar maior procura, mas isso terá sempre um efeito marginal. Ou seja, o livreiro interessado na venda de obras do seu grupo ou que adquiriu um elevado número de exemplares a uma distribuidora para obter um desconto adicional, apresenta-as como as mais vendidas para criar um efeito de «mimetismo» mediático, que leva potenciais leitores a procurá-los para não perderem o conforto do mainstream. Foi o que se verificou com as sondagens onde no passado foi frequente a sua apresentação, pelos partidos por elas favorecidos, como votações garantidas, o que explica que tenham podido ser agora consideradas um dado objectivo.
O que se passou com as «europeias» é que, num dado contexto, o «feitiço se voltou contra o feiticeiro».
E como a actual crise foi também criada por mimetismos de consumo, só podemos desejar que o mesmo se passe com os tops de vendas de livros e a indicação de vendas astronómicas nas capas, ou seja, que os leitores os ignorem e privilegiem sugestões de outros leitores, o que dizem os críticos e as suas intuições e referências.
Claro que não se trata de insinuar que os livros que constam dos tops de vendas são necessariamente maus. Existe já um amplo público leitor exigente que tem noção de que um livro nem sempre fácil lhe pode dar um prazer bem maior do que os o concedido pela última encomenda de uma editora a uma qualquer apresentadora de talk shows televisivos. Mas é sabido que aquilo que Umberto Eco designa por paraliteratura é o género que fornece a maior parte dos bestsellers. Trata-se, então, de pensar: «Já venderam que chegue.»

Francisco Vale

Violência e Cartesianismo Segundo Žižek


Há dois novos livros do esloveno Slavoj Žižek na Relógio D’Água.
O primeiro, O Sujeito Incómodo (The Ticklish Subject), é, com Parallax View, uma das suas principais obras filosóficas. O outro, Violência, tem uma relação mais estreita com a actualidade política, cultural e social.





Segundo Žižek um espectro assombra a comunidade académica ocidental. É o fantasma do sujeito cartesiano.
O Sujeito Incómodo desafia as posições de desconstrucionistas e habermasianos, cientistas cognitivos e heideggerianos, feministas e obscurantistas da New Age, ao desenterrar a essência subversiva deste espectro e ao encontrar nela um ponto de referência filosófico indispensável para qualquer política verdadeiramente emancipadora.
Depois de uma primeira parte filosoficamente mais densa, O Sujeito Incómodo torna-se numa leitura desconcertante sobre as questões políticas e culturais da actualidade.




Em Violência, Slavoj Žižek conduz os seus leitores por uma viagem intelectual e artística – desde a Guernica de Picasso, aos filmes de Alfred Hitchcock e M. Night Shyamalan, aos romances de Michel Houellebecq e a uma análise kantiana do furacão Katrina –, para mostrar como as sociedades compreendem, obscurecem ou negam as fontes de violência. Argumenta que a violência talvez possa ser definida com mais rigor pelos espectadores do que pelos criminosos ou as vítimas. Žižek enumera as variedades da violência, mostrando até que ponto ela se tornou inerente à linguagem, economia e religião.

Nascido em 1949, Slavoj Žižek é psicanalista, filósofo, investigador do Instituto de Sociologia na Universidade de Liubliana, na Eslovénia, e professor visitante na New School for Social Research, em Nova Iorque.
Na Relógio D’Água publicou Bem-Vindo ao Deserto do Real, Elogio da Intolerância, As Metástases do Gozo, A Subjectividade por Vir e A Monstruosidade de Cristo.

17.6.09

Sobre João Bénard da Costa e os Que o Vão Lembrando

A melhor homenagem que um editor pode prestar a João Bénard da Costa é dizer que gostaria de o ter editado (a sua obra está de resto em belos livros da Assírio & Alvim, Fundação Gulbenkian e Cinemateca Portuguesa).
De João Bénard da Costa a Relógio D’Água publicou apenas um posfácio a uma antologia de Cecília Meireles, poetisa que ele admirava, um texto saído inicialmente no Público a 9 de Novembro de 2001. Nele, o autor de Como o Cinema Era Belo cita, a propósito do centenário de nascimento e do 37.º aniversário da morte de Cecília Meireles, um poema que poderemos agora dedicar ao próprio João Bénard da Costa.

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verás, só de cinza franzida,
mortas intactas pelo teu jardim.

Eu deixo o aroma até nos meus espinhos,
ao longe, o vento vai falando em mim.

E por perder-me é que me vão lembrando,
Por desfolhar-me é que não tenho fim.

João Bénard da Costa foi um intelectual católico e humanista, um cinéfilo e um homem da acção.
O Tempo e o Modo, que ajudou a criar tinha como subtítulo Revista de Pensamento e Acção. Mesmo a sua visão de cinema, expressa no livro Filmes da Minha Vida, os Meus Filmes da Vida, mostra que para ele o cinema tinha a ver com tudo o que fazia. Na Gulbenkian, na segunda metade dos anos 70, não se limitou a organizar ciclos de cinema, acompanhados com a distribuição das suas já míticas folhas e intervenções. Criou um Centro que permitiu a realizadores como Alberto Seixas Santos e António-Pedro Vasconcelos fazer os seus primeiros filmes.
Ainda no campo da acção transformou a Cinemateca numa das melhores da Europa em termos de programação e arquivo.
A sua grande decepção foi na política, tendo partilhado com António Alçada Baptista as ilusões na «abertura marcelista».
O Tempo e o Modo foi um dos projectos mais importantes em que João Bénard da Costa participou. A revista foi fundada em finais de Janeiro de 1963 e nela confluíram, em entradas sucessivas, elementos oriundos da Juventude Universitária Católica e do Centro Cultural de Cinema e socialistas saídos do MUD, aliados numa intervenção que contestava o regime ao mesmo tempo que por ele era tolerada (o grupo excluía elementos ligados ao PCP ou à extrema-esquerda, que na sua versão maoista acabaria por influenciar a revista ou, pelo menos, por se apropriar do seu título).
A matriz do projecto foi a editora Moraes, criada alguns anos antes – no ambiente do pós-guerra europeu e da campanha eleitoral de Humberto Delgado – por António Alçada Baptista e Pedro Tamen. O primeiro livro que publicou foi O Personalismo de Emmanuel Mounier, em tradução de João Bénard da Costa, cuja tese de licenciatura em Letras fora sobre o fundador da revista Esprit. Uma sua colecção, Círculo do Humanismo Cristão, prefigurou o que viria a ser O Tempo e o Modo de que António Alçada Baptista seria o director, João Bénard da Costa chefe de redacção e, um pouco mais tarde, Vasco Pulido Valente o chefe de redacção adjunto.
A partir de 1966, João Bénard da Costa dedicou-se também à Associação para a Liberdade da Cultura.
Na antologia de O Tempo e o Modo, publicado em Dezembro de 2003 pela Fundação Gulbenkian e o CNC (acompanhada de um CD, com todos os números da revista), há referência a vários textos de João Bénard da Costa, que ilustram o seu modo de encarar o cinema, a religião e a filosofia. É o caso de «O Cinema É Um Fenómeno Idealista», «Mounier e O Tempo e o Modo», «A Igreja e o Fim dos Constantinismos», «Os Silêncios do Vaticano» e o texto de abertura que fez para o caderno «Deus o Que É?».
Alguns dos colaboradores da revista acabaram por ter incursões mais ou menos prolongadas na vida política e económica (casos de Jorge Sampaio, Vasco Pulido Valente, José Cutileiro, Mário Soares, Luís Moita, Jaime Gama, Luís Salgado de Matos, Mário Murteira, Sottomayor Cardia, Salgado Zenha e Medeiros Ferreira). Outros mantiveram sempre uma participação apenas cultural, como foi o caso de Nuno de Bragança, Jorge de Sena, Alberto Vaz da Silva, Cristovan Pavia, Agustina Bessa-Luís, António Ramos Rosa, Ruy Belo ou Herberto Helder.
Tanto a Moraes como O Tempo e o Modo entraram em crise financeira a partir de 1967 – António Alçada Baptista teve de pagar quase até ao fim da vida os prejuízos, através de descontos no seu ordenado.

Na Cinemateca

Um destes dias, quando entrar na Cinemateca, sei que não encontrarei ao fundo de um corredor um homem elegante e desajeitado, misto de nobre espanhol e de comandante de Marinha, nem ouvirei uma voz rouca conversando com um vagar antigo, esse homem que fez duas vezes de Papa em filmes de Manoel de Oliveira e falava como mais ninguém do cinema que se fez até aos anos noventa do século XX.
Mas sei também que todos aqueles para quem a memória não é um deserto de túmulos vazios serão incapazes de entrar na Cinemateca ou sequer de ouvir falar de Johnny Guitar de Nicholas Ray ou A Palavra de Dreyer sem recordar João Bénard da Costa.

Francisco Vale

A Família Portuguesa de Alice Munro

Do sempre atento escritor e encenador Jorge Silva Melo recebemos, por e-mail, uma notícia sobre a escritora canadiana Alice Munro, recentemente premiada com o Man Booker International Prize.


Francisco,

sabias que os Munro (de que faz parte a grande Alice) foram contraindo vários matrimónios desde a Irlanda natal… entre os quais com a francesa família Cid que casou com o Reynaldo (dos Santos) e veio a dar… o João Cid dos Santos, pai do Bartolomeu

ou seja, que Alice Munro é prima (quase direita) do Bartolomeu (e que parte dessa família Munro vive em Colares…)

o Bartolomeu andava há anos a tentar contactar essa distante prima (afinal, artista próxima…)

j