28.2.26

Sobre A Taça Dourada, de Henry James

 A Taça Dourada, publicado em 1904, é o último romance de Henry James. Tendo como pano de fundo a Inglaterra, é um estudo complexo sobre o casamento e o adultério, e explora a relação ambígua entre Adam Verver e a sua filha Maggie e o modo como ameaça os respectivos casamentos. Com mestria, o autor recorre à consciência das personagens — a pormenores obsessivos e revelações — como forma de fazer avançar o enredo.

Descrito como «labiríntico e claustrofóbico», foi considerado pelo The Guardian um dos cem melhores romances jamais escritos.


A Taça Dourada (tradução de Carlota Pracana) e outras obras de Henry James estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/henry-james/

Sobre Adivinhas de Pedro e Inês, de Agustina Bessa-Luís

 «“A História é uma ficção controlada”, declara Agustina perto do fim do livro, encerrando a divagação sobre a promiscuidade indestrinçável entre o real, o imaginário e o recordado. Estas três dimensões sobrepõem-se neste romance quase policial, que nos apresenta a implosão da Idade Média como causa e consequência do épico amor de Pedro e Inês. Seria, de facto, épico, esse amor? Como nasceu e evoluiu? Foi clandestino, ou legal? Terá passado de desejo a paixão, de paixão a amor, e a tédio, e a prisão, e a raiva, e a instrumento de vingança? Terá Pedro sido atraído pelos puros encantos de Inês ou pela ambição de tomar o trono de Espanha ao seu sobrinho Pedro (outro Pedro-cru, espelho e inimigo) e assim desesperar Afonso IV, seu pai? Quem era Pedro? Quem era Inês? Que ligações existiam entre as famílias de um e de outro, com o seu cortejo de bastardias entre as frescas fronteiras?» [Do Prefácio de Inês Pedrosa]


Adivinhas de Pedro e Inês, com prefácio de Inês Pedrosa, e outras obras de Agustina Bessa-Luís disponível em https://www.relogiodagua.pt/autor/agustina-bessa-luis/

Sobre Laranjeira-Amarga, de Jokha Alharthi

 Zuhour, uma estudante omanense numa universidade britânica, encontra-se entre o passado e o presente. Tenta fazer amizades e assimilar a cultura britânica, mas não consegue esquecer as relações que foram centrais na sua vida, sendo a mais importante a que manteve com Bint Aamir, mulher que sempre considerara sua avó, e que morreu assim que Zuhour abandonou a Península Arábica. À medida que a narrativa acompanha as dificuldades por que Bint Aamir passou, entrelaça-se com o presente isolado e insatisfatório de Zuhour, numa combinação de sonhos e memórias.

Laranjeira-Amarga é uma exploração sobre estatuto social, desejo e o lugar da mulher na sociedade, feita através de um retrato em mosaico da vida de uma jovem mulher que procura entender as suas origens enquanto imagina uma idade adulta em que o seu poder e a sua felicidade consigam encontrar a liberdade necessária para florescerem.


«Um romance extraordinário, de uma escritora que, além de vencer o Man Booker International Prize, criou a sua própria estrutura narrativa, que segue a vida de uma jovem mulher omanense que, enquanto constrói uma vida para si mesma no Reino Unido, reflete sobre as relações que fizeram dela a pessoa que é hoje.» [James Wood, The New Yorker]


«Épico. De cortar a respiração.» [TIME]


Laranjeira-Amarga (trad. Marta Mendonça) e Corpos Celestes (trad. Inês Dias) estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/jokha-alharthi/

Sobre Poemas, de John Donne

«A obra de Donne atravessou um longo período em que mal era conhecida, porque nunca tinha sido reunida ou publicada em livro. No entanto, várias antologias saídas já no século xx relativas aos poetas seiscentistas e às “metaphysical lyrics” e um ensaio de T. S. Eliot datado de 1921, o qual se intitula precisamente “Os poetas metafísicos”, vieram dar o devido relevo à obra que Donne nos deixou.» [Do Prefácio de Maria de Lourdes Guimarães e Fernando Guimarães]

Poemas de John Donne (tradução de Maria de Lourdes Guimarães e Fernando Guimarães) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/poemas-3/

27.2.26

Sobre Amok, de Stefan Zweig

Amok é um termo retirado da cultura indonésia e significa «lançar-se furiosamente na batalha». As pessoas afetadas por este estado psíquico têm ataques de fúria cega e procuram aniquilar os que consideram seus inimigos e quem quer que se interponha no seu caminho, sem consideração pelo perigo que correm.

O narrador conta a sua viagem de Calcutá para a Europa a bordo do Oceania. Num passeio noturno na coberta do navio, encontra um médico preocupado e assustado e que evita qualquer contacto social. Este vai contar-lhe o que o levou a uma relação obsessiva por uma mulher que o colocou em estado de amok.


Amok (tradução de Gilda Lopes Encarnação) e outras obras de Stefan Zweig estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/stefan-zweig/

Sobre Zé Susto e a Bíblia dos Sonhos, de Sylvia Plath

«Mais ou menos “acabados” ou elaborados, os textos reunidos no presente volume valem seguramente por si. Pela riqueza das imagens, pela precisão e abundância dos detalhes, pela naturalidade ao mesmo tempo distanciada e cúmplice com que evocam a infância ou a loucura, pela arte de transformar um episódio aparentemente insignificante numa “campânula de vidro” ou pesa-papéis vitoriano, contendo, abrigando e dando a ver todo um pequeno mundo. Valem também pelas relações que estabelecem, quer entre si, quer, como sublinha o organizador da colectânea [Ted Hughes], com os poemas da autora — relações que tanto podem passar pelo reaproveitamento e reformulação de textos mais antigos (…).» [Da Nota Prévia de Ana Luísa Faria]


Zé Susto e A Bíblia dos Sonhos (trad. Ana Luísa Faria) e outras obras de Sylvia Plath estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/sylvia-plath/

Livros da Relógio D’Água nomeados para Prémio Livro do Ano Bertrand



Foram divulgados os finalistas do Prémio Livro do Ano Bertrand 2025, entre os quais se encontram três obras editadas pela Relógio D’Água. O Fim dos Estados Unidos da América, de Gonçalo M. Tavares, candidato a melhor livro de ficção lusófona; As Sete Idades, de Louise Glück (tradução de Inês Dias), candidato a melhor livro de poesia; e Lavagante, de José Cardoso Pires, candidato a melhor reedição de grandes obras da literatura.


Os livros da Relógio D’Água estão disponíveis em www.relogiodagua.pt

Sobre Sete Rosas Mais Tarde, de Paul Celan

 “O amor está morto na obra de Celan. Perdeu a qualidade redentora. O que dele fica são apenas fragmentos, imagens que não se ordenam numa estrutura superior unificada. Porque esse é o limite que atingem, o limiar que ultrapassam: o da unificação harmoniosa num universo e numa relação de que o amor foi brutalmente cortado.” [Da Introdução de Y. K. Centeno]


“A poesia de Celan começa por tactear caminhos, dolorosamente, num tempo de feridas abertas, exorcizando memórias próximas e debatendo-se com ópios inócuos (‘Verde-bolor é a casa do esquecimento’).” [Da Introdução de João Barrento]


Sete Rosas Mais Tarde (seleção, tradução e introdução de João Barrento e Y. K. Centeno) e outras obras de Paul Celan estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/paul-celan/

Sobre Os Sete Pilares da Sabedoria, de T. E. Lawrence

 “Hogarth defendeu que Lawrence tinha o dever histórico de elaborar uma crónica à altura da Revolta Árabe. Lawrence cedeu relutantemente, mas, depois de aceitar esta incumbência, concretizou‑a com a mesma força motriz impressionante que tinha gerado na campanha.” [B. H. Liddell Hart]


“É um dos melhores livros alguma vez escritos em língua inglesa. Como narrativa de guerra e aventura, é inultrapassável.” [Winston Churchill]


“Descreve a Revolta Árabe contra os turcos, vista por um inglês que nela tomou parte. No que seria aparentemente uma simples crónica militar, Lawrence da Arábia teceu um painel inusitado de retratos, descrições, filosofias, emoções, aventuras e sonhos. Para levar a cabo a sua missão, serviu-se de uma extraordinária erudição, uma memória impecável, um estilo que ele próprio inventou… uma total desconfiança em si mesmo e uma fé ainda maior.” [E. M. Forster]


“T. E. Lawrence foi “libertador da Arábia, tradutor heroico da Odisseia, asceta, arqueólogo, soldado e grande escritor. […] Negava sono e comida ao seu corpo e as suavidades do afeto à sua alma varonil”, acabando por “recusar a glória e até por recusar o prazer do exercício literário”. [Jorge Luis Borges]


Os Sete Pilares da Sabedoria, de T. E. Lawrence, com prefácio de B. H. Liddell Hart (tradução de Alda Rodrigues e Marta Mendonça), está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/os-sete-pilares-da-sabedoria/

De Açores — o Canto das Ilhas, de Carlos Pessoa

 «Por mim, o gran finale desta viagem pelo arquipélago dos Açores poderia ocorrer com o observador confortavelmente sentado, e por fim serenado, na esplanada exterior do hotel Azoris Faial Garden, na Horta, tendo a piscina suspensa à sua frente e contemplando, no dia que lentamente se extingue, a montanha do Pico para lá do canal, deixando-se fundir com o ocaso solar e aspirando os matizes de luz e cor reflectidos na encosta, enquanto a constante dança das nuvens molda uma e outra e outra vez o maciço rochoso, num movimento incessante de ocultamento e desvelamento da própria montanha, até que a noite caia.

(…)

[A]percebe-se da suspensão do tempo, a imobilidade eterniza-se, a emoção irrompe, tudo ao mesmo tempo, num turbilhão perturbador e único. Enquanto isso, o Sol desce para o ocaso, lá longe na imensidão do mar das Flores, e as luzes vibrantes do dia prestes a terminar ajudam a instalar um estado de excepção, que é a expressão sublime da transcendência na vida, descobrindo, possivelmente pela primeira vez, que só assim ela vale a pena ser vivida.»


Açores — O Canto das Ilhas, de Carlos Pessoa, está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/acores-o-canto-das-ilhas/

Sobre As Ilhas Gregas, de Lawrence Durrell

 A escrita de Durrell está ligada à experiência do Mediterrâneo, em especial às Ilhas Gregas. Este texto, criado originalmente como um álbum fotográfico, foi agora recriado para o formato de livro. Nele encontramos descrições evocativas, histórias e mitos (entre eles alguns sobre flores e festividades). É por isso que nenhum viajante da Grécia ou admirador do génio de Durrell deve perder este livro.


«Durrell esteve em todo o lado e, como Ulisses, fez muito e sofreu muito, incluindo aventuras ocorridas durante a última guerra mundial. As suas descrições são prismáticas e palco para um elenco fascinante de atores… todos relembrados com afeto.» [Stewart Perowne, The Times]


«A sua mente é iluminada por tesouros enterrados no fundo do mar, mas nunca perdidos, sobre uma memória clara do Mediterrâneo… Durrell esteve em todo o lado, e é tão generoso com as suas sugestões como atrevido com as peripécias que descreve. Este texto está repleto de vitalidade.» [Frederic Raphael, Sunday Times]


As Ilhas Gregas (trad. Carlos Leite) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/as-ilhas-gregas/

26.2.26

Sobre Reino Transcendente, de Yaa Gyasi

 Em Reino Transcendente, o romance que se segue a Rumo a Casa, Yaa Gyasi traça um retrato íntimo e profundo de uma família oriunda do Gana que se mudou para o estado do Alabama, nos EUA.

Gifty está a fazer um doutoramento em Neurociências na Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, onde estuda circuitos neuronais do comportamento de procura de recompensa em ratos, assim como circuitos neuronais relacionados com depressão e vício.

O irmão, Nana, que fora um promissor basquetebolista na escola, morrera com uma overdose de heroína depois de uma lesão no tornozelo o deixar viciado em OxyContin. E a mãe, deprimida com o regresso do marido ao Gana e a morte do filho, não sai da cama. 

Gifty está decidida a descobrir uma base científica que justifique o sofrimento que a rodeia. Mas quando entra no mundo das ciências exatas, tentando entender o mistério da sua família, acaba por redescobrir a ânsia espiritual que mantinha desde criança, primeiro na igreja evangélica e depois em rutura com ela.


«Um romance repleto de momentos brilhantes, reveladores, que são tão divertidos como pungentes… Gifty é provocadoramente vital.» [James Wood, The New Yorker]


«Gyasi recorda-me outras escritoras que abordaram a experiência de imigrantes na América — Jhumpa Lahiri, Yiyun Li e Chimamanda Ngozi Adichie, em particular… Reino Transcendente troca o brilhantismo de Rumo a Casa por outro tipo de glória, mais granular e difícil de definir.» [The New York Times Book Review]


«Um livro genial… uma reflexão profunda sobre ciência e espiritualidade que lembra os livros de Richard Powers e Marilynne Robinson…» [Ron Charles, The Washington Post]


«Poderia dizer que Reino Transcendente é um romance para os nossos tempos. E é. Mas é muito mais do que isso. É um livro para todos os tempos.» [Ann Patchett]


Reino Transcendente (trad. Helena Briga Nogueira) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/reino-transcendente/

A chegar às livrarias: O Terceiro Reino, de Karl Ove Knausgård

 Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: O Terceiro Reino, de Karl Ove Knausgård (tradução do norueguês de João Reis)


Durante vários dias, uma estrela nova, estranha e intensamente brilhante paira no céu da Noruega, semeando um sentimento de presságio, agitação e medo. Tove, uma pintora em férias com a família, mergulha numa psicose que a lança num turbilhão de criatividade. Geir, um polícia que está a investigar um triplo homicídio, chega a uma revelação sinistra que terá de guardar para si. Line, uma jovem de 19 anos, apaixona-se pelo vocalista de uma banda de metal e é atraída para um mundo secreto e aterrador. Mas o mais desconcertante é a descoberta feita por Syvert, um agente funerário: desde que a estrela apareceu, ninguém morreu.

Em O Terceiro Reino, Karl Ove Knausgård retoma o mundo hipnotizante de A Estrela da Manhã e Os Lobos da Floresta da Eternidade, enquanto um elenco de personagens novas e familiares continua a confrontar-se com o significado desta estrela. O que os assombra, e porquê?


«Knausgård está entre os melhores escritores vivos.» [The New York Times]


«As pessoas em O Terceiro Reino são tão nítidas e convincentes como a persona autobiográfica de Knausgård. Um livro absorvente, que não se consegue parar de ler.» [Lev Grossman]


«Um dos livros mais sedutores que alguma vez li. Romance após romance, Knausgård está a devolver ao mundo uma energia selvagem.» [Brandon Taylor, The Washington Post]


O Terceiro Reino e outras obras de Karl Ove Knausgård estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/karl-ove-knausgard/

Sobre As Casas da Vida de Agustina, de Mónica Baldaque

 «A família, todos eles, tinham um espírito de nómadas, desenraizados da terra que pisavam, ela era apenas o caminho a percorrer, e ficavam para trás, em imagens, os lugares, as pessoas, a própria vida passada. Imagens que Maria Agustina chamava a si, numa espécie de recitação meticulosa, como se se entregasse a uma dissecação poética.

Poética?

O comboio para a Póvoa passava ao longe, nas traseiras da casa, como um brinquedo de folha; avistavam-se os misteriosos casarões cinzentos das famílias alemãs de Oliveira Monteiro, onde um velho jardineiro furtivo varria a caruma do chão de saibro branco; no jardim do colégio das Teresianas, de japoneiras rajadas e araucárias seculares, cruzavam-se caminhos de passeio e oração daquelas freiras de toucado real.»


As Casas da Vida de Agustina e outras obras de Mónica Baldaque estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/monica-baldaque/


As obras de Agustina Bessa-Luís já editadas pela Relógio D’Água estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/agustina-bessa-luis/

Sobre A Casa Assombrada, de Virginia Woolf

 Em A Casa Assombrada e Outros Contos estão reunidos alguns dos mais inovadores contos originalmente escritos em inglês.

É certo que Virginia Woolf não é uma contista e que foi em romances como «Orlando» e «As Ondas» que sobretudo cumpriu o «insaciável desejo de escrever alguma coisa antes de morrer». Mas é em contos como «A Marca na Parede», «Lappin e Lapinova» e «O Legado» que melhor nos revela o modo como soube captar um universo feminino que os homens desfazem revelando que a marca na parede é uma lesma, recusando-se a recriar a vida de coelhos no ribeiro ao fundo da floresta ou tornando-se apenas desatentos.


A Casa Assombrada e Outros Contos (tradução de Miguel Serras Pereira) e outras obras de Virginia Woolf estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/virginia-woolf/

Sobre A Casa em Paris, de Elizabeth Bowen

 Quando Henrietta, com apenas onze anos, chega a Paris para passar umas horas com as Fishers, pouco sabe dos fascinantes segredos que envolvem a sua casa. Henrietta descobre depois que a sua visita coincide com a de Leopold, um rapaz que veio a Paris para ser apresentado à mãe que nunca conheceu.

Durante um dia, o mistério que envolve Leopold, os seus pais, a agitada anfitriã de Henrietta e a matriarca do quarto do piso superior que se encontra às portas da morte é-nos revelado de forma lenta e inexorável.

A Casa em Paris é uma obra-prima intemporal e um exemplo da melhor escrita de Bowen.


“O livro de Bowen tem uma atmosfera característica… Imensamente misterioso e com descrições riquíssimas.” [Daily Telegraph]


“Um enredo atraente, inspirado por um profundo conhecimento da natureza humana.” [Times Literary Supplement]


A Casa em Paris (trad. Ana Maria Chaves) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/a-casa-em-paris/

De Notre-Dame de Paris, de Victor Hugo

 «Há alguns anos, ao visitar, ou melhor, ao esquadrinhar Notre-Dame, o autor deste livro descobriu, na parede de um recanto escuro de uma das torres, a seguinte palavra gravada à mão:

νάγκη


O autor ficou vivamente impressionado perante aquelas maiúsculas gregas, enegrecidas pelo tempo e profundamente cravadas na pedra, com não sei quantos sinais peculiares da caligrafia gótica impressos nas suas formas e na sua postura, como se quisessem revelar que tinham sido escritas por uma mão da Idade Média, e quisessem sobretudo exprimir o sentido lúgubre e fatal que elas encerram.

Interrogou-se, procurou adivinhar qual podia ter sido a alma atormentada que não quisera abandonar este mundo sem deixar aquele estigma de crime ou de desgraça na fachada da velha igreja.

Mais tarde, a parede foi caiada ou raspada (não sei qual o processo usado) e a inscrição desapareceu. É assim que se tratam há duzentos anos as maravilhosas igrejas da Idade Média. As mutilações vêm de todos os lados, de dentro e de fora. O padre caia-as, o arquiteto raspa-as, e depois vem o povo que as deita abaixo.» [Do Prefácio do Autor]


Notre-Dame de Paris e Os Miseráveis (trad. José Cláudio e Júlia Ferreira) de Victor Hugo estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/victor-hugo/

25.2.26

De A História, de Elsa Morante

 «1906‑1913


Não há muitas novidades, no vasto mundo. Como já todos os séculos e milénios que o precederam na Terra, também o novo século se regula pelo conhecido princípio imutável da dinâmica histórica: a uns o poder, e aos outros a servidão. E sobre isto se fundam, em conformidade, seja a ordem interna da sociedade (dominada atualmente pelos “Poderes” ditos capita‑listas), seja a ordem externa internacional (dita imperialismo), dominada por alguns Estados ditos “Potências”, que praticamente repartem entre si a inteira superfície terrestre em propriedades suas, ou Impérios. Entre elas, a última chegada é a Itália, que aspira ao grau de Grande Potência, e para o merecer já se apoderou pelas armas de alguns países estrangeiros — menos poderosos do que ela —, desse modo criando para si uma pequena propriedade, mas ainda não um Império.» [p. 13 de A História, trad. José Lima]


A História (trad. José Lima) e outras de Elsa Morante estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/elsa-morante/

Alberto Manguel sobre O Fim dos Estados Unidos da América, de Gonçalo M. Tavares

 «A guerra começou! — Uma alegoria de um império em declínio

[…] Guiando os leitores de capítulo em capítulo, advertindo-os sobre armadilhas e antecipando acontecimentos, retomando detalhes que poderiam ter passado despercebidos e comentando o comportamento das personagens, Tavares demonstra uma audácia notável e uma poderosa mestria narrativa ao desenrolar o seu ambicioso fresco.» [Alberto Manguel, Times Literary Supplement, 20/2/2026: https://www.the-tls.com/literature/fiction/o-fim-dos-estados-unidos-de-america-goncalo-m-tavares-book-review-alberto-manguel ]


O Fim dos Estados Unidos da América será hoje apresentado na FNAC Gaia, às 21h30.

Esta e outras obras de Gonçalo M. Tavares estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/goncalo-m-tavares/

Sobre O Jardineiro e a Morte, de Gueorgui Gospodinov

 O meu pai era jardineiro. Agora é um jardim.


Um homem chamado Gueorgui permanece junto à cama do pai, até à sua última manhã de inverno.

Atravessando uma época de luto, Gueorgui percorre as infinitas narrativas que o pai costumava contar e a história que definiu uma geração: a de rapazes nascidos na Bulgária no final da Segunda Guerra Mundial, que cresceram e se tornaram homens muitas vezes ausentes, agarrados ao tubo de respiração de um cigarro, a nadar noutras águas e nuvens.

De um quintal árido de aldeia, o pai de Gueorgui fez um refúgio especial: um jardim exuberante onde viveria para sempre, entre os rebentos de campânulas-brancas e as primeiras túlipas da primavera. Mas, sem ele, o passado de Gueorgui começa a fragmentar-se.


“A simplicidade e a profundidade desta prosa cristalina enchem-me de admiração.” [Olga Tokarczuk, vencedora do Prémio Nobel da Literatura]


“O autor, um fabulista naturalmente lúdico, encontra aqui espaço para a invenção e o jogo livre. Em torno das realidades recordadas, consegue entrelaçar as digressões, os ensaios autoficcionais e as experiências mentais brilhantes que tornaram obras anteriores como Física da Tristeza e Refúgio no Tempo recipientes maravilhosamente abertos. O Jardineiro e a Morte não se lê como um romance, mas também nenhuma dessas obras anteriores se lê assim. Todas soam a novidades de Gospodinov.” [James Wood, The New Yorker]


O Jardineiro e a Morte e outras obras de Gueorgui Gospodinov (traduções de Monika Boneva e Paulo Tiago Jerónimo) estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/gueorgui-gospodinov/

A chegar às livrarias: Os Caminhos da Urze, de Ana Teresa Pereira

 Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: Os Caminhos da Urze, de Ana Teresa Pereira


Numa planície ventosa, entre a urze, o nevoeiro e os corredores de uma casa antiga, repetem-se encontros que parecem já ter acontecido.

Vestidos que surgem e desaparecem, cheiros que conduzem pelos corredores da noite, mulheres que se reconhecem como duplos umas das outras, numa narração onde o tempo não avança de forma linear, mas em círculos. Entre o real e o espectral, entre a memória e a ficção, estas narrativas cruzam destinos femininos presos a casas, paisagens e amores.

Um livro de atmosfera densa, onde a literatura se observa a si própria como num espelho, e onde cada caminho conduz, inevitavelmente, de volta à urze.


Esta e outras obras de Ana Teresa Pereira estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/ana-teresa-pereira/

Sobre O Spleen de Paris, de Charles Baudelaire

 Esta é uma nova tradução de Le Spleen de Paris, de Charles Baudelaire, obra editada em 1869, dois anos depois da morte do poeta, que a concebeu como uma série complementar de Les Fleurs du Mal.

Os poemas em prosa de O Spleen de Paris procuram captar e decifrar o tumulto e a melancolia da moderna vida urbana, feita de profundas transformações na geografia humana e na expressão da sensibilidade, prestando uma especial atenção aos excluídos do progresso, em que o próprio poeta se revê.

Para Baudelaire, o poeta é o «solitário dotado de uma imaginação activa, sempre viajando através do grande deserto de homens», tendo «um objectivo mais alto que o de um puro flâneur, um objectivo mais geral, que não o prazer fugidio da circunstância». Ele procura mostrar os versos e reversos da «modernidade», articulando beleza estética e violência simbólica, e tendo sempre em mente um desígnio maior: «extrair a beleza do Mal», o ouro da lama, «o eterno do transitório». [Jorge Fazenda Lourenço]


O Spleen de Paris (tradução, introdução, apêndice e notas de Jorge Fazenda Lourenço) e outras obras de Charles Baudelaire estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/charles-baudelaire/

Sobre O Esquilo e o Tesouro Perdido, de Coralie Bickford-Smith

 Numa noite outonal, um jovem esquilo avista uma bolota a cintilar na floresta. Ansioso por proteger o seu tesouro de olhos atentos e bocas famintas, enterra-a. Mas após o inverno, quando regressa, ela não se encontra no mesmo local. Onde poderá estar?


“O livro mais bonito do ano… é como um poema… uma obra de arte.” [Chris Packham]


“Coralie Bickford-Smith retrata a natureza na sua forma mais sublime.” [Financial Times]


“Único… As ilustrações são tão intensas e detalhadas que cada página parece viva.” [Observer]


O Esquilo e o Tesouro Perdido e outras obras de Coralie Bickford-Smith (tradução de Inês Dias) estão disponíveis em https://www.relogiodagua.pt/autor/coralie-bickford-smith/

Sobre Doce Pássaro da Juventude e Outras Peças, de Tennessee Williams

 Solidão, tensão sexual e a necessidade de afeto marcam estas quatro peças de Tennessee Williams, em que as suas personagens combatem os demónios interiores e o mundo contemporâneo.

Em Doce Pássaro da Juventude, o desnorteado Chance Wayne regressa à sua cidade com uma atriz de cinema envelhecida, em busca da rapariga por quem se apaixonara na juventude.

Em A Noite da Iguana, um grupo de pessoas, entre elas um perturbado ex-reverendo, são obrigadas a conviver num hotel mexicano isolado durante uma noite repleta de acontecimentos.

Em O Zoo de Vidro, uma mulher amargurada pretende a todo o custo casar a filha, Laura, que sofre de um defeito físico e se refugia na sua coleção de animais de vidro.

Vieux Carré é uma peça sobre a educação do artista, uma educação solitária e muitas vezes desesperante, entre a entrega ou a recusa, mas sobretudo sobre aprender a ver, ouvir, sentir e descobrir que «os escritores são espiões sem vergonha», que pagam caro pelo seu conhecimento e são incapazes de esquecer.


«A novidade revolucionária de O Zoo de Vidro está na sua ascensão poética, mas foi a sua complexa estrutura dramática que permitiu que a peça se tornasse um cântico poético.» [Arthur Miller]


«Em A Noite da Iguana Williams escreve no auge da sua forma.» [The New York Times]


Doce Pássaro da Juventude e Outras Peças (trad. de Dulce Fernandes, José Agostinho Baptista, José Miguel Silva e Manuel João Gomes) e Um Eléctrico Chamado Desejo e Outras Peças (trad. Helena Briga Nogueira) estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/tennessee-williams/