«Profundamente poético, de grande oralidade, Jack não repete nenhuma das fórmulas dos romances anteriores de Robinson. Sempre que escreve a partir de uma das personagens da grande Gilead — chamemos assim ao grupo de quatro romances — procura o que ela pode trazer de novo, e isso implica forma e conteúdo. Por isso talvez se possa dizer que este seja o seu romance mais experimental. Porque Jack não é uma personagem fácil. […]
“Jack ficou na minha mente. Demorei algum tempo a decidir como me aproximar dele, como seria a sua voz. Mas começou a parecer-me que ele, como todos os outros, era necessário para uma compreensão desse mundo”, refere a escritora sobre uma personagem que lhe permite explorar temas que ainda não tinha aprofundado, entre eles o racismo. […]
Com uma escrita apurada, próxima da poesia, parte da ideia de casa como centro formador, identitário, demora-se em detalhes do quotidiano enquanto representativos de carácter — “a esmagadora inocência da vida doméstica”, como se lê num dos livros. No conjunto, essas miudezas humanas compõem um mundo maior, definem o humano. E é esse o grande tema de toda a obra de Marilynne Robinson. Na ficção como no ensaio, com uma qualidade que leva a que o seu nome surja como candidata ao Nobel da Literatura, uma mulher discreta, nascida no Idaho em 1943.» [Isabel Lucas, entrevista a Marilynne Robinson, ípsilon, Público, 4/6/2021: https://www.publico.pt/2021/06/03/culturaipsilon/noticia/marilynne-robinson-prosadora-pecado-original-america-1964867]
Jack, de Marilynne Robinson (tradução de Alda Rodrigues), está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/jack-gilead-4/

Sem comentários:
Enviar um comentário